Uma fazenda localizada em Cotriguaçu, no norte de Mato Grosso, já ajudou pesquisadores a descrever mais de 40 novas espécies para a ciência. A Fazenda São Nicolau reúne uma extensa área de floresta na Amazônia Meridional e recebe estudos sobre biodiversidade há mais de duas décadas.
Entre as descobertas estão peixes, besouros, fungos e anfíbios. O resultado coloca a propriedade além do turismo de natureza pelo qual ficou conhecida recentemente: o mesmo território procurado por visitantes para observar animais também funciona como campo permanente para cientistas estudarem espécies da Amazônia.
Parte dessas descobertas já aparece detalhada em publicações científicas. Um estudo publicado nos Anais da Academia Brasileira de Ciências registrou 23 novas espécies de besouros e uma espécie de peixe encontradas a partir das pesquisas desenvolvidas na Fazenda São Nicolau.
A produção científica vai além das novas espécies. Segundo a ONF Brasil, responsável pela propriedade, pesquisadores já produziram mais de 100 artigos a partir de estudos realizados no local, sobre biodiversidade, carbono, restauração e ecologia florestal.
Novas espécies na Amazônia ganham descrição após anos de pesquisa
Os estudos na Fazenda São Nicolau começaram a se organizar de forma sistemática em 2001, quando foi criado um comitê técnico-científico. Em 2007, a propriedade passou a contar também com estrutura ligada ao Programa de Pesquisa em Biodiversidade.
As descobertas mostram por que esse trabalho exige continuidade. Entre os besouros descritos, os pesquisadores encontraram quatro espécies exclusivamente na fazenda até a publicação do levantamento científico, em 2019.
O estudo também registrou seis espécies de besouros descritas a partir de material de referência coletado na fazenda. Esses exemplares são importantes porque permitem que outros pesquisadores comparem animais encontrados posteriormente e confirmem a identificação de cada espécie.
Área de pesquisa também recebe turistas para observar a biodiversidade
A biodiversidade que atrai cientistas passou a levar visitantes à Fazenda São Nicolau. A área soma mais de 3 mil espécies de fauna e flora registradas, entre elas cerca de 400 espécies de aves.
A observação de aves está entre as principais atividades oferecidas. O visitante pode percorrer trilhas, fazer observação noturna e usar torres instaladas na propriedade. Uma delas permite acompanhar o gavião-real e surgiu a partir de pesquisas sobre o comportamento e o habitat da espécie.
Essa relação faz com que pesquisa e visitação ocupem o mesmo território, mas com funções diferentes. Enquanto o turismo aproxima o público da biodiversidade local, os pesquisadores continuam coletando, comparando e analisando organismos.
Por isso, a relação de novas espécies da Amazônia encontradas na Fazenda São Nicolau ainda não funciona como uma lista encerrada. Qualquer novo organismo suspeito de ser desconhecido precisa passar pela análise de especialistas e pela descrição científica antes de ser reconhecido formalmente como uma nova espécie.