A Rádio Nacional chega aos 90 anos transformando a própria história em uma oportunidade de reencontro com personagens que marcaram a cultura brasileira. Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira, grandes nomes das transmissões esportivas e até personagens que fizeram sucesso nas radionovelas e no humor voltam ao centro da programação comemorativa.
A emissora completa nove décadas no próximo sábado, 12 de setembro, e preparou uma série de ações para recuperar histórias, arquivos e bastidores de diferentes períodos.
Um dos nomes lembrados é Cauby Peixoto, que encontrou nos microfones da Nacional uma das grandes vitrines para chegar ao público brasileiro. Outra personagem é Dalva de Oliveira, cuja trajetória será abordada pelos atores Renato Borghi e Soraya Ravenle, que estão em cartaz com uma peça sobre a cantora.
A memória passa ainda pelo futebol. Aos 86 anos, o narrador José Carlos Araújo, conhecido como Garotinho, participa da programação para contar histórias acumuladas em seis décadas de carreira e recordar bastidores das transmissões esportivas.
Rádio Nacional transforma acervo em novas histórias
O trabalho de recuperar esses personagens começou antes da semana do aniversário. Desde junho, a emissora produz a série 90 Anos em 90 Histórias, formada por 90 episódios de cerca de seis minutos e criada para chegar ao último capítulo justamente no dia do aniversário.
Os episódios recorrem a entrevistas e materiais do acervo para revisitar diferentes partes dessa trajetória. Já passaram pela série as radionovelas, os programas de humor, a música brasileira, a programação infantil e episódios ligados à expansão da Nacional para outras regiões do país.
Entre os programas recuperados está o PRK-30, clássico do humor radiofônico. A história da atração também será lembrada no Sem Censura pelo cineasta Eduardo Albergaria, diretor de um filme dedicado ao programa.
Emissora ajudou a formar a cultura popular brasileira
A dimensão desse acervo acompanha a própria história da radiodifusão no país. A Rádio Nacional foi inaugurada em 12 de setembro de 1936, no Rio de Janeiro, e se tornou uma das referências da chamada Era do Rádio.
A Fundação Biblioteca Nacional destaca que a emissora influenciou hábitos, gostos e comportamentos. Sua programação ajudou a popularizar formatos que iam das radionovelas e atrações humorísticas aos programas musicais e jornalísticos.
Esse passado explica por que a celebração reúne personagens tão diferentes. Nos primeiros anos, a Nacional já contava com artistas como Orlando Silva, Francisco Alves, Sílvio Caldas, Araci de Almeida e Lamartine Babo, segundo o Atlas Histórico da Fundação Getulio Vargas.
Aos 90 anos, parte desse patrimônio volta a circular para além do arquivo. A programação especial da Rádio Nacional segue durante a semana e culmina no sábado, quando a emissora prepara uma transmissão especial em rede para marcar oficialmente as nove décadas.