A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) chegou nesta terça-feira (8) a 46 indústrias certificadas pelo Selo ESG-FIEC, após reconhecer mais seis empresas na 15ª edição da entrega. CIALNE, Nova Eólica Coqueiro, Texugo Moda Praia, TLF Jeans, Take a Nap e Unilink passaram a integrar um grupo que reúne negócios de diferentes portes e setores, enquanto o Programa de Certificação já alcança 101 empresas no Estado.
Mais do que ampliar a lista de empresas com Selo ESG, a cerimônia marcou uma nova etapa do programa. A proposta é aproximar a indústria cearense de critérios ambientais, sociais e de governança. Essas práticas também passaram a influenciar as relações comerciais. Das 46 empresas já certificadas, 15 alcançaram a classificação máxima e sete passaram por recertificação.
Durante a solenidade, o presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, associou essa mudança diretamente à competitividade. Segundo ele, a sustentabilidade deixou de estar ligada apenas à reputação corporativa. Hoje, também influencia decisões sobre investimentos, fornecedores, eficiência e acesso a mercados. Além disso, pesa na participação das empresas em grandes cadeias produtivas.
“Quando falamos de ESG na FIEC, estamos falando de competitividade”, afirmou Cavalcante durante o discurso.
Empresas com Selo ESG vão da moda à energia e logística
Entre as novas integrantes está a Texugo Moda Praia, empresa familiar fundada em 1990. Uma das ações apresentadas no processo foi uma coleção cujas estampas nasceram de desenhos de pessoas com transtorno do espectro autista, com parte das vendas destinada à Associação Fortaleza Azul.
A TLF Jeans levou à avaliação práticas como gestão de resíduos sólidos e uso de energias renováveis. Já a Take a Nap utiliza energia solar em suas fábricas e mantém suporte psicológico voltado aos colaboradores, segundo as informações apresentadas pela FIEC.
A diversidade também aparece fora da moda. A Nova Eólica Coqueiro atua na geração de energia e afirma desenvolver projetos de educação, treinamento e capacitação junto a comunidades. A CIALNE, do setor de alimentos, destacou ações ligadas à gestão ambiental, ética e relacionamento comunitário.
No outro extremo da cadeia produtiva está a Unilink, ligada à logística e às operações nos portos do Mucuripe e do Pecém. A empresa relaciona a certificação às exigências encontradas no relacionamento com companhias multinacionais e clientes do setor portuário.
Certificação cresceu nos últimos anos
O grupo de empresas com Selo ESG era bem menor há pouco tempo. Em fevereiro de 2024, órgãos do Governo do Ceará registravam apenas 12 empresas certificadas. Em novembro daquele mesmo ano, o número havia chegado a 23.
Agora, além das 46 certificadas, a FIEC informa que 101 empresas já ingressaram no programa, 15 alcançaram a classificação máxima e sete passaram por recertificação.
Para as seis novas empresas com Selo ESG, a entrega desta terça-feira encerra a etapa de certificação, mas não significa que as práticas avaliadas sejam permanentes por definição. O próprio modelo prevê acompanhamento e recertificação, mantendo a continuidade das ações como parte do processo.
Certificação passa por auditoria independente
Outro ponto destacado pela Federação foi a participação do Bureau Veritas no processo. A organização realiza auditoria independente das empresas avaliadas, enquanto o programa utiliza metodologia e critérios próprios para a certificação.
No discurso, Cavalcante afirmou que essa etapa externa amplia a credibilidade do selo diante de um cenário em que grandes compradores e investidores observam cada vez mais aspectos como governança, transparência, rastreabilidade e responsabilidade socioambiental.
É aí que entram as seis empresas: não como o assunto principal, mas como demonstração da amplitude alcançada pelo programa. A nova turma reúne uma companhia de alimentos com 60 anos de trajetória, uma geradora de energia eólica, empresas de moda com origem familiar e uma companhia ligada à operação dos portos cearenses.
Entre as práticas apresentadas durante a certificação estão gestão de resíduos, uso de energia renovável, projetos sociais, suporte psicológico a trabalhadores, relacionamento com comunidades e aperfeiçoamento de estruturas de governança.
15ª entrega reúne empresários e dirigentes da indústria
A cerimônia foi conduzida por Ricardo Cavalcante e reuniu representantes das seis empresas certificadas, entre eles Cláudio Alencar, da CIALNE; Diego Moreira, da Nova Eólica Coqueiro; Daniel Queiroz, da Texugo; Thicyanne Pinheiro, da TLF Jeans; Stella Targino, da Take a Nap; e Marcus Albuquerque, da Unilink.
Também participaram o ex-presidente da FIEC Fernando Cirino Gurgel, diretores da Federação, presidentes de sindicatos industriais e gestores do Sistema FIEC, além da equipe responsável pelo Núcleo ESG-FIEC.
Para Cavalcante, a diversidade das empresas reconhecidas ajuda a mostrar uma mudança que o programa busca ampliar na indústria cearense: fazer com que critérios ambientais, sociais e de governança deixem de ser ações isoladas e passem a integrar decisões empresariais.
A próxima etapa desse processo não depende apenas de novas adesões. O próprio programa prevê recertificações, o que exige que as empresas mantenham e atualizem as práticas avaliadas ao longo do tempo.