A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) vai levar empresários, executivos e gestores a Toronto, no Canadá, para conhecer de perto um modelo de inovação baseado na conexão entre empresas, universidades e poder público. A missão integra o Toronto Minds Beyond, programa do Instituto Euvaldo Lodi (IEL Ceará), e será realizada de 21 a 24 de setembro.
A proposta é observar como esse ecossistema funciona na prática e trazer referências para o Ceará. A programação inclui aulas na Rotman School of Management, da University of Toronto, além de visitas técnicas e atividades voltadas à troca de experiências entre participantes de diferentes setores.
A escolha de Toronto ocorreu após a análise de diferentes destinos. Segundo a superintendente do IEL Ceará, Dana Nunes, pesou a maneira como governo, academia e empresas trabalham de forma conectada na cidade — justamente o ponto que o grupo cearense pretende estudar.
O interesse encontra respaldo no próprio ambiente local. Em julho, o governo canadense anunciou mais de 20 milhões de dólares canadenses para nove projetos na região de Toronto voltados à produtividade, inovação e adoção de tecnologias avançadas, incluindo iniciativas ligadas à University of Toronto.
Ceará busca em Toronto um modelo de inovação conectado
Para a FIEC, a imersão deve servir menos como uma visita institucional e mais como espaço para observar soluções que já aproximam pesquisa, negócios e políticas públicas. O presidente da entidade, Ricardo Cavalcante, defendeu que as lideranças cearenses conheçam experiências de outros países para qualificar decisões tomadas no Estado.
A University of Toronto mantém uma estrutura que ajuda a explicar esse interesse. A universidade reúne aceleradoras, espaços compartilhados de trabalho, programas voltados à propriedade intelectual e mecanismos para conectar pesquisadores a parceiros da indústria, do governo e da comunidade.
Esse ambiente também se traduz em novos negócios. Segundo a própria universidade, seu ecossistema de empreendedorismo reúne mais de uma dezena de aceleradoras e já ajudou a originar mais de 1.500 empresas apoiadas por capital de risco.
A programação organizada pela FIEC e pelo IEL Ceará combina essa discussão acadêmica com visitas a empresas. Estão previstas passagens pela fabricante de aeronaves Bombardier, pela empresa aeroespacial MDA Space e pela Cohere, especializada em inteligência artificial.
Aprendizado deve voltar para o Ceará
A missão não termina quando o grupo deixar o Canadá. Durante a apresentação do programa nesta quinta-feira (03/09), Ricardo Cavalcante pediu que os participantes registrem os principais aprendizados da viagem. A ideia é compartilhar esse conhecimento depois da missão.
O intercâmbio também acontecerá dentro do próprio grupo, formado por 40 participantes de diferentes setores. Para Rholden Queiroz, conselheiro-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Ceará, a convivência entre profissionais de diferentes áreas também gera aprendizado. Ele já participou de missões anteriores promovidas pela FIEC e pelo IEL Ceará.
A proposta ganha um efeito mais concreto quando essas referências chegam às organizações. O empresário Germano Maia também participará da missão. Segundo ele, experiências anteriores já resultaram em projetos implantados na fábrica, com ganhos de eficiência e redução de custos.
A experiência de inovação em Toronto, portanto, servirá como referência, e não como um modelo automaticamente transferível ao Ceará. O resultado dependerá das decisões tomadas pelos participantes após a viagem. O contato direto com esse ecossistema começa em 21 de setembro, quando têm início as aulas e visitas técnicas no Canadá.