Teste de canetas para músculos preserva 54,9% da massa magra no emagrecimento e envelhecimento

As chamadas canetas para músculos ganharam atenção após um medicamento experimental preservar mais da metade da massa magra que seria perdida com tirzepatida.
Aplicação de medicamento injetável durante tratamento para perda de peso e preservação muscular.
As chamadas canetas para músculos estão em estudo para ajudar a preservar massa magra durante o emagrecimento com medicamentos como a tirzepatida. (Foto: Google images)

As chamadas canetas para músculos ganharam atenção com uma nova geração de medicamentos que tenta reduzir a perda muscular durante o emagrecimento. Um deles, o apitegromab, já apresentou um resultado concreto em humanos: preservou 54,9% da massa magra que seria perdida durante o tratamento com tirzepatida.

Apoio

O resultado veio do estudo clínico EMBRAZE, realizado com 102 adultos com sobrepeso ou obesidade. Todos receberam tirzepatida para perda de peso, mas apenas metade também recebeu o medicamento experimental.

Apesar de entrar na discussão sobre as chamadas canetas para músculos, o apitegromab não foi aplicado por caneta nesse estudo. Os participantes receberam o medicamento por infusão intravenosa. O tratamento também ainda não está aprovado para preservar músculos durante o emagrecimento.

A pesquisa chama atenção porque medicamentos para perda de peso não reduzem apenas gordura. Parte dos quilos eliminados também pode vir da massa magra, que inclui os músculos.

Canetas para músculos tentam preservar o que também se perde ao emagrecer

No grupo que tomou tirzepatida acompanhada de placebo, os participantes perderam em média 3,5 kg de massa magra durante as 24 semanas de acompanhamento. Entre aqueles que também receberam apitegromab, a perda caiu para 1,6 kg.

Na prática, a diferença entre os dois grupos chegou a 1,9 kg. Os pesquisadores calcularam que o medicamento experimental preservou 54,9% da massa magra que seria perdida sem sua utilização.

A diferença também aparece quando se observa a composição do peso eliminado. No grupo tratado apenas com tirzepatida e placebo, a massa magra correspondeu a 30,2% da perda total de peso. Com o apitegromab, essa participação caiu para 14,6%.

O efeito não impediu a redução de peso. Os participantes que receberam apitegromab perderam em média 11,2 kg, enquanto o outro grupo perdeu 12,5 kg ao longo das 24 semanas.

Medicamento age sobre proteína que limita crescimento muscular

O apitegromab atua sobre a miostatina, proteína que participa do controle do crescimento dos músculos. O medicamento foi desenvolvido para bloquear de forma seletiva a ativação dessa proteína.

Esse mecanismo colocou substâncias desse tipo entre as apostas estudadas para ajudar a preservar músculos em pessoas que emagrecem com medicamentos como a tirzepatida e a semaglutida.

A estratégia ganhou espaço justamente porque preservar massa magra pode se tornar uma preocupação durante perdas significativas de peso. Ainda assim, quantidade de massa muscular não deve ser confundida automaticamente com força, mobilidade ou melhora da capacidade física.

Resultado não significa que já existe uma caneta contra o envelhecimento

Embora a expressão canetas para músculos tenha se popularizado, o estudo não demonstrou que o apitegromab combate o envelhecimento, rejuvenesce o organismo ou substitui atividade física.

O que os pesquisadores comprovaram até agora é mais específico: adicionar o medicamento experimental à tirzepatida reduziu a perda de massa magra observada durante o emagrecimento naquele grupo de participantes.

O apitegromab também não está aprovado atualmente como tratamento para preservar músculos em pessoas que usam medicamentos para emagrecer. O EMBRAZE foi um ensaio de fase 2, etapa usada para avaliar efeitos e reunir evidências antes de estudos maiores.

Por isso, as chamadas canetas para músculos ainda representam uma linha de pesquisa, e não uma nova categoria de tratamento disponível nas farmácias. Estudos maiores precisarão confirmar se a preservação observada se mantém e quais benefícios práticos ela poderá trazer aos pacientes.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp