Aluno da Unifor transforma exames médicos em modelos 3D para tornar cirurgias mais precisas

Na Unifor, Cirurgic3D transforma tomografias e ressonâncias em modelos 3D para cirurgia que ajudam médicos a estudar a anatomia de cada paciente.
Médico analisa modelo 3D criado a partir de exames para planejar cirurgia.
Médico Pedro Filgueira desenvolveu, com apoio do ecossistema da Unifor, uma tecnologia que transforma exames em modelos 3D para ajudar no planejamento de cirurgias. (Foto: divulgação)

Antes de uma operação, cada detalhe da anatomia do paciente pode fazer diferença no planejamento. Foi pensando nisso que o médico urologista Pedro Filgueira desenvolveu uma forma de transformar tomografias e ressonâncias em modelos 3D para cirurgia, permitindo que o profissional visualize com mais clareza órgãos, vasos, tumores e outras estruturas antes do procedimento.

Apoio

A ideia começou durante uma pesquisa de mestrado em Tecnologia em Saúde. Na época, Pedro trabalhava com imagens dos rins e percebeu que uma visualização tridimensional poderia ajudar na análise de casos mais complexos. O projeto avançou, passou a despertar o interesse de outros médicos e ganhou novas aplicações.

Hoje, o trabalho é desenvolvido no ecossistema da Universidade de Fortaleza (Unifor), onde Pedro também se aproximou de pesquisadores, laboratórios e iniciativas voltadas à inovação. A solução passou a atender profissionais de diferentes especialidades e regiões do país.

Na prática, o benefício está em permitir que o cirurgião conheça melhor a anatomia específica daquele paciente antes de entrar no centro cirúrgico. Em vez de analisar apenas uma sequência de imagens bidimensionais, ele pode observar as estruturas em três dimensões e estudar previamente relações importantes para o procedimento.

Modelos 3D para cirurgia são criados a partir dos exames do paciente

O processo começa com arquivos de tomografia com contraste ou de ressonância magnética. A partir dessas imagens, a equipe reconstrói digitalmente as estruturas que interessam ao médico.

O modelo não representa um órgão genérico. Ele reproduz características identificadas nos exames daquele paciente, o que permite uma análise mais individualizada antes da cirurgia.

A empresa criada a partir do projeto informa que o prazo médio de produção é de quatro dias. Hoje, médicos de diferentes especialidades já usam a tecnologia para visualizar diversas partes do corpo e planejar procedimentos.

Ideia nasceu de uma pesquisa e cresceu dentro da Unifor

Pedro Filgueira desenvolveu os primeiros passos da tecnologia ainda durante o mestrado. A proposta inicial era facilitar a visualização dos rins, mas o interesse de outros profissionais levou o médico a testar novas possibilidades.

A aproximação com a Unifor ajudou a dar continuidade ao trabalho. No Parque Tecnológico da universidade, o projeto passou a ter contato com pesquisadores, laboratórios e programas voltados ao desenvolvimento de novas soluções.

Esse ambiente também aproximou a equipe de editais e oportunidades de financiamento para pesquisa e inovação. Com isso, uma ideia que nasceu dentro da formação acadêmica avançou até chegar ao uso prático por médicos.

Visualização 3D pode ajudar no planejamento de alguns procedimentos

Pesquisas independentes já avaliaram o uso de modelos tridimensionais no planejamento cirúrgico. Uma revisão de dez estudos, com 897 pacientes, encontrou redução no tempo de algumas operações e na perda de sangue em procedimentos de pulmão, fígado e rins.

Os próprios pesquisadores, no entanto, alertam que esses resultados não significam benefício automático em qualquer cirurgia. A revisão não encontrou diferença consistente em eventos pós-operatórios ou no tempo de internação.

No caso da tecnologia desenvolvida por Pedro, o ganho já demonstrado está principalmente na etapa anterior à operação: transformar os exames do paciente em uma visualização mais detalhada, para que o médico possa estudar o caso antes do procedimento.

Para quem será operado, a mesma representação também pode facilitar a explicação sobre o que será feito. Assim, uma pesquisa que começou com a necessidade de enxergar melhor um órgão acabou criando uma nova forma de médicos e pacientes visualizarem, juntos, o que antes aparecia apenas nas telas dos exames.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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