Ressonância magnética pode aumentar a eficácia do tratamento da depressão

Estudo indica que a ressonância magnética pode aumentar a eficácia do tratamento da depressão ao orientar com mais precisão a estimulação magnética do cérebro.
Ressonância magnética pode tornar o tratamento da depressão mais direcionado ao utilizar imagens do cérebro para orientar a aplicação da estimulação magnética.
Estudo indica que a ressonância magnética pode ajudar a definir com mais precisão a área do cérebro que recebe a estimulação magnética, aumentando a resposta ao tratamento da depressão resistente aos medicamentos. (Foto: Yistocking/Adobe Stock)

Um exame de ressonância magnética pode aumentar as chances de sucesso de um tratamento já utilizado contra a depressão em pessoas que não melhoraram com antidepressivos. A conclusão é de um estudo publicado na terça-feira (24/06) na revista JAMA Psychiatry. Ao utilizar imagens do cérebro para definir o local da estimulação magnética, os pesquisadores obtiveram resultados superiores aos do método convencional.

A ressonância magnética não trata a depressão nem substitui outras terapias. Em vez disso, ela permite identificar com maior precisão a região do cérebro que deve receber a estimulação magnética. Assim, os médicos passam a planejar a aplicação da terapia com base nas imagens do cérebro de cada pessoa, e não apenas em referências externas da cabeça.

Os pesquisadores acompanharam 40 adultos com transtorno depressivo maior que não haviam apresentado melhora com antidepressivos. Após um mês, 80% dos participantes que receberam a estimulação orientada pela ressonância magnética responderam ao tratamento. No grupo que utilizou o método convencional, esse índice foi de 60%.

Embora os resultados ainda precisem ser confirmados em estudos maiores, a pesquisa mostra que o uso da ressonância magnética torna a estimulação magnética mais eficiente em pacientes que não responderam aos medicamentos.

Como a ressonância magnética pode ajudar no tratamento da depressão

A estimulação magnética utiliza um equipamento posicionado do lado de fora da cabeça que emite pulsos magnéticos para estimular regiões do cérebro relacionadas ao controle do humor. Atualmente, o procedimento integra as opções terapêuticas para pessoas que não respondem adequadamente aos antidepressivos.

Antes deste estudo, os médicos definiam o local da estimulação com base em medidas externas da cabeça, iguais para todos os pacientes. Com a ressonância, porém, eles conseguem visualizar as imagens do cérebro de cada pessoa e selecionar a área mais adequada para receber os pulsos magnéticos.

Como cada cérebro apresenta uma organização própria, dois pacientes com o mesmo diagnóstico podem receber a estimulação em regiões diferentes. Dessa forma, a estratégia adapta a aplicação da terapia às características identificadas nas imagens, sem alterar o procedimento utilizado.

O que esse avanço pode representar para os pacientes

A depressão resistente ocorre quando os sintomas persistem mesmo após o uso adequado de antidepressivos. Foi justamente esse grupo que apresentou melhor resposta quando a estimulação magnética foi planejada com auxílio da ressonância magnética.

Além de reduzir os sintomas, a estratégia guiada pelas imagens do cérebro apresentou uma taxa de resposta superior à do método convencional. Segundo os autores, esse resultado mostra que a ressonância magnética pode ajudar a definir com maior precisão o local da estimulação.

Os pesquisadores defendem a realização de estudos maiores antes da adoção mais ampla da técnica. Ainda assim, o trabalho amplia as evidências de que imagens do cérebro podem orientar decisões terapêuticas e ajudar médicos a adaptar um tratamento já disponível às características de cada paciente.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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