Em 2006, na Holanda, o motorista de ambulância Kees Veldboer Sr. ajudou o paciente terminal Mario Stefanutto a sair por algumas horas da rotina hospitalar e visitar o porto de Vlaardingen. A boa ação acabou inspirando a criação de uma iniciativa dedicada a realizar sonhos de quem está com a esperança abalada. Desde então, a Ambulância do último desejo já atendeu mais de 26 mil pessoas ao redor do mundo.
Os pedidos podem envolver desde uma visita à família até a ida a um lugar importante para o paciente. A proposta é tornar possível um passeio ou encontro que a pessoa já não conseguiria fazer sem transporte adequado e acompanhamento profissional.
A ideia também atravessou fronteiras e inspirou projetos semelhantes em outros países. Neste ano, o modelo chegou à província de Santa Fé, na Argentina, onde voluntários passaram a transportar pacientes que precisam de assistência médica para realizar desejos fora de casa ou do hospital.
Ambulância do último desejo transforma pedidos simples em passeios possíveis
Nem sempre o pedido envolve uma grande viagem. Para uma pessoa que perdeu a mobilidade, voltar para casa, encontrar alguém da família, visitar uma praia ou participar de uma ocasião especial pode exigir transporte adaptado e acompanhamento de profissionais.
É justamente essa barreira que a ambulância do último desejo procura resolver. Na fundação holandesa, um motorista e um profissional de enfermagem acompanham cada saída, enquanto veículos especialmente adaptados permitem transportar pacientes que não poderiam viajar em um carro comum.
O atendimento da organização é gratuito para o paciente e a família. Segundo a fundação, a estrutura atual conta com 10 ambulâncias e mais de 350 voluntários, entre motoristas, enfermeiros e outros colaboradores.
Projeto já realiza cerca de 2 mil sonhos por ano
A escala alcançada mostra como uma experiência inicialmente improvisada se tornou um serviço permanente. A Stichting Ambulance Wens afirma realizar aproximadamente 2 mil desejos por ano, com uma média de sete a dez viagens por dia na Holanda.
A rapidez também pode ser importante. Como os pedidos envolvem pessoas gravemente doentes ou sem mobilidade, a organização informa que consegue preparar a maioria das saídas em um ou dois dias. Em casos urgentes, algumas podem ser organizadas em poucas horas.
Na Argentina, a adaptação do modelo ainda está em uma fase muito mais recente. A equipe de Santa Fé reúne profissionais de diferentes áreas que atuam como voluntários e já começou a receber pedidos de famílias.
O que nasceu do desejo de Mario de voltar a navegar deixou, portanto, uma consequência concreta: pacientes que não conseguem mais sair por conta própria passaram a ter uma estrutura para chegar a lugares e pessoas importantes. Hoje, o último desejo levado por uma ambulância pode significar algumas horas fora do hospital — e a possibilidade de escolher como vivê-las.