A experiência de dentro de casa agora está chegando a outras famílias no Ceará. A enfermeira e auriculoterapeuta Luciane Silva decidiu compartilhar o que aprendeu com a própria filha em um curso de auriculoterapia para mães de crianças neurodivergentes atendidas pelo Centro Inclusivo para Atendimento e Desenvolvimento Infantil (Ciadi).
Luciane conheceu de perto as dificuldades que fazem parte dessa rotina. Quando a filha ainda era pequena, começou a aplicar a técnica primeiro diante de questões físicas e, posteriormente, em momentos de ansiedade e dificuldade para dormir.
Segundo a enfermeira, as mudanças que percebeu na própria filha fizeram com que enxergasse na prática uma ferramenta que poderia ser compartilhada. Agora, 28 mães atendidas pelo Ciadi participam da capacitação “Auriculoterapia: Ponto de Cuidado”.
A proposta é ensinar uma prática complementar que possa integrar a rotina familiar. A auriculoterapia estimula pontos específicos da orelha e é utilizada em diferentes contextos de saúde, mas não substitui tratamentos e acompanhamentos indicados para cada criança.
Curso de auriculoterapia chega a mães de crianças neurodivergentes
O curso de auriculoterapia para mães de crianças neurodivergentes começou em abril no Ciadi, órgão da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece). A formação busca oferecer às participantes conhecimentos básicos para utilizar a técnica no cotidiano.
Para Luciane, ensinar outras mães também significa compartilhar uma ferramenta que ela própria incorporou ao cuidado da filha. “Comecei a aplicar na minha filha muito pequena. Primeiro para questões físicas e, depois, para aliviar a ansiedade e melhorar o sono”, relata.
Essas percepções, porém, correspondem à experiência pessoal da enfermeira. Embora existam pesquisas sobre o uso da auriculoterapia em condições como ansiedade e insônia, o projeto não apresentou resultados clínicos das 28 famílias participantes que permitam atribuir os mesmos efeitos às crianças atendidas.
Formação de 28 mães termina com entrega de certificados
A capacitação também coloca as mães em uma posição diferente dentro da rotina de cuidados: além de acompanhar consultas e terapias dos filhos, elas recebem conhecimento sobre uma prática que pode ser utilizada de forma complementar.
O Ciadi já desenvolve atividades direcionadas às famílias de crianças neurodivergentes. Em 2024, por exemplo, uma ação da Alece voltada ao acolhimento de mães já havia incluído sessões de auriculoterapia entre as atividades oferecidas.
A etapa atual termina nesta quinta-feira (03/09), quando as 28 participantes receberão os certificados da formação. A cerimônia está marcada para as 15h30, no auditório do Anexo III da Alece, em Fortaleza.
Para Luciane, o resultado mais concreto da experiência é justamente fazer o conhecimento circular entre famílias que enfrentam desafios semelhantes. Com a conclusão do curso, as mães passam a levar para casa o que aprenderam, enquanto qualquer efeito sobre ansiedade, sono ou comportamento das crianças deve continuar sendo observado individualmente e acompanhado pelos profissionais responsáveis.