Tecidos usados na edição passada ganharam novas formas, retalhos que seriam descartados viraram roupas e saberes transmitidos entre gerações chegaram à passarela. A moda sustentável na Fenacce apareceu por caminhos diferentes durante três desfiles realizados no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.
As coleções “Raízes que Resistem”, “Flor de Mandacaru” e “Além da Perimetral” partiram de propostas distintas. Juntas, elas aproximaram artesanato, reaproveitamento têxtil e identidade territorial sem tratar sustentabilidade apenas como conceito.
Um dos exemplos mais concretos veio da coleção “Flor de Mandacaru”. Costureiras dos bairros José Walter e Bom Jardim trabalharam com tecidos utilizados na Fenacce 2025, que retornaram à edição deste ano transformados em novas peças.
Já a YBY Feito à Mão levou o Jangurussu para o centro da criação. A coleção “Além da Perimetral” utilizou retalhos, sobras de corte e outros materiais que seriam descartados para construir peças ligadas ao território onde vivem e trabalham seus criadores.
Moda sustentável na Fenacce reaproveita o que já existia
O reaproveitamento foi uma das diferenças mais visíveis entre as coleções. Em “Flor de Mandacaru”, materiais de uma edição anterior do próprio festival voltaram à cadeia produtiva pelas mãos das costureiras dos ateliês ligados à Prefeitura de Fortaleza.
A proposta da YBY seguiu outro caminho. O projeto trabalha com upcycling, processo no qual materiais descartados ou sem uso recebem nova função sem simplesmente voltar à condição de matéria-prima.
Além do reaproveitamento, “Além da Perimetral” utilizou a antiga Avenida Perimetral, hoje Avenida Jornalista Tomaz Coelho, como referência. A coleção relacionou moda à vivência no Jangurussu e colocou a periferia como lugar de criação, não apenas como cenário.
Tradição também entrou na discussão sobre sustentabilidade
“Raízes que Resistem”, com curadoria de Tatiana Rabelo, completou o trio por outra perspectiva. Em vez de partir principalmente de resíduos têxteis, o desfile destacou técnicas e conhecimentos artesanais que passam entre gerações.
A coleção aproximou esses saberes de uma linguagem contemporânea, mantendo em evidência quem produz cada peça e a relação entre artesanato, memória e território.
Esse encontro entre técnicas tradicionais e novas formas de produzir acontece dentro de um festival de grande escala. A Fenacce 2026 reúne cerca de 400 estandes no Centro de Eventos e segue até 13 de setembro, segundo dados divulgados pelo Ministério do Empreendedorismo.
Fenacce continua até 13 de setembro
Além dos desfiles, a programação reúne oficinas, gastronomia, palestras, apresentações culturais e atividades voltadas ao artesanato. O Centro de Eventos do Ceará estima receber mais de 80 mil visitantes durante esta edição.
A programação continua em Fortaleza até domingo, 13 de setembro. Para quem acompanha a moda sustentável na Fenacce, os três desfiles deixam exemplos diferentes de uma mesma ideia: criar novas peças tanto a partir do que seria descartado quanto dos conhecimentos e territórios que já fazem parte da produção artesanal.