Fenacce leva moda sustentável à passarela com tradição, reuso e periferia

Três desfiles da Fenacce mostraram como tradição, reaproveitamento têxtil e criação periférica podem dividir a mesma passarela em Fortaleza.
Modelos apresentam peças de moda sustentável durante desfile da Fenacce 2026, em Fortaleza.
Desfiles da Fenacce 2026 levaram à passarela peças criadas com reaproveitamento de tecidos, upcycling e técnicas artesanais. (Foto: diulgação)

Tecidos usados na edição passada ganharam novas formas, retalhos que seriam descartados viraram roupas e saberes transmitidos entre gerações chegaram à passarela. A moda sustentável na Fenacce apareceu por caminhos diferentes durante três desfiles realizados no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.

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As coleções “Raízes que Resistem”, “Flor de Mandacaru” e “Além da Perimetral” partiram de propostas distintas. Juntas, elas aproximaram artesanato, reaproveitamento têxtil e identidade territorial sem tratar sustentabilidade apenas como conceito.

Um dos exemplos mais concretos veio da coleção “Flor de Mandacaru”. Costureiras dos bairros José Walter e Bom Jardim trabalharam com tecidos utilizados na Fenacce 2025, que retornaram à edição deste ano transformados em novas peças.

Já a YBY Feito à Mão levou o Jangurussu para o centro da criação. A coleção “Além da Perimetral” utilizou retalhos, sobras de corte e outros materiais que seriam descartados para construir peças ligadas ao território onde vivem e trabalham seus criadores.

Moda sustentável na Fenacce reaproveita o que já existia

O reaproveitamento foi uma das diferenças mais visíveis entre as coleções. Em “Flor de Mandacaru”, materiais de uma edição anterior do próprio festival voltaram à cadeia produtiva pelas mãos das costureiras dos ateliês ligados à Prefeitura de Fortaleza.

A proposta da YBY seguiu outro caminho. O projeto trabalha com upcycling, processo no qual materiais descartados ou sem uso recebem nova função sem simplesmente voltar à condição de matéria-prima.

Além do reaproveitamento, “Além da Perimetral” utilizou a antiga Avenida Perimetral, hoje Avenida Jornalista Tomaz Coelho, como referência. A coleção relacionou moda à vivência no Jangurussu e colocou a periferia como lugar de criação, não apenas como cenário.

Tradição também entrou na discussão sobre sustentabilidade

“Raízes que Resistem”, com curadoria de Tatiana Rabelo, completou o trio por outra perspectiva. Em vez de partir principalmente de resíduos têxteis, o desfile destacou técnicas e conhecimentos artesanais que passam entre gerações.

A coleção aproximou esses saberes de uma linguagem contemporânea, mantendo em evidência quem produz cada peça e a relação entre artesanato, memória e território.

Esse encontro entre técnicas tradicionais e novas formas de produzir acontece dentro de um festival de grande escala. A Fenacce 2026 reúne cerca de 400 estandes no Centro de Eventos e segue até 13 de setembro, segundo dados divulgados pelo Ministério do Empreendedorismo.

Fenacce continua até 13 de setembro

Além dos desfiles, a programação reúne oficinas, gastronomia, palestras, apresentações culturais e atividades voltadas ao artesanato. O Centro de Eventos do Ceará estima receber mais de 80 mil visitantes durante esta edição.

A programação continua em Fortaleza até domingo, 13 de setembro. Para quem acompanha a moda sustentável na Fenacce, os três desfiles deixam exemplos diferentes de uma mesma ideia: criar novas peças tanto a partir do que seria descartado quanto dos conhecimentos e territórios que já fazem parte da produção artesanal.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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