Desfile de 7 de Setembro homenageia pioneiras do futebol feminino 47 anos após mulheres voltarem aos gramados

Onze pioneiras do futebol feminino participaram do desfile em Brasília, 47 anos após o fim da proibição que restringia mulheres na modalidade no Brasil.
Pioneiras do futebol feminino participam do Desfile de 7 de Setembro em Brasília.
Pioneiras do futebol feminino brasileiro foram homenageadas durante o Desfile de 7 de Setembro, em Brasília, 47 anos após o fim da proibição da modalidade para mulheres. ( Foto: reprodução / Agência Brasil)

O Desfile de 7 de Setembro, em Brasília, colocou neste domingo uma geração histórica do esporte brasileiro no centro das celebrações. Onze pioneiras do futebol feminino que defenderam a Seleção nas décadas de 1980 e 1990 foram homenageadas e percorreram a Esplanada dos Ministérios em carro aberto.

Apoio

A homenagem ganha outro peso quando comparada ao passado da modalidade. Há 47 anos, o Brasil encerrava uma proibição que restringiu por décadas a prática de futebol por mulheres. A regra começou em 1941 e caiu em 1979, embora a regulamentação específica só tenha chegado quatro anos depois.

Entre as homenageadas estavam atletas que participaram dos primeiros capítulos internacionais da Seleção Brasileira, além de nomes que atravessaram diferentes fases de desenvolvimento do esporte no país.

O encontro aconteceu a menos de um ano da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho.

Pioneiras do futebol feminino atravessaram décadas de restrições

O futebol praticado por mulheres enfrentou restrições oficiais durante 38 anos no Brasil. Em 1941, o Decreto-Lei nº 3.199 determinou que mulheres não poderiam praticar modalidades consideradas incompatíveis com sua “natureza”. Em 1965, uma nova regulamentação citou expressamente o futebol entre os esportes proibidos.

Mesmo nesse período, mulheres continuaram organizando partidas em diferentes regiões do país. A falta de reconhecimento oficial, porém, dificultava o acesso a competições e estruturas esportivas.

A proibição caiu em 1979, mas o futebol feminino só recebeu regulamentação em 1983. No mesmo ano, foi realizada a Taça do Brasil. Em 1991, a Seleção Brasileira participou pela primeira vez de uma Copa do Mundo feminina.

Homenagem reuniu jogadoras de diferentes gerações

Entre as 11 ex-atletas estavam Lucilene de Souza Marinho, a Cebola; Marisa Pires Nogueira; Mariléia dos Santos, conhecida como Michael Jackson; Iracema Ferreira, a Rata; e Suzy Bittencourt de Oliveira. As cinco participaram do torneio mundial experimental realizado na China em 1988, quando o Brasil terminou em terceiro lugar.

Também integraram o grupo Miriam Soares, Nalvinha, Nenê, Yara Silva, Formiga e Dilma Mendes. Formiga disputou sete edições da Copa do Mundo, entre 1995 e 2019.

Além das pioneiras, o eixo dedicado ao futebol feminino reuniu 40 meninas de um projeto social do Distrito Federal que estão começando na modalidade. A proposta do Ministério do Esporte foi aproximar quem ajudou a abrir espaço para o esporte das novas gerações.

Brasil se prepara para receber a Copa feminina

O reconhecimento às gerações anteriores também avançou neste ano. A Lei nº 15.421, sancionada em junho de 2026, prevê a concessão de prêmio às jogadoras da Seleção que participaram do torneio experimental de 1988 e da Copa do Mundo de 1991, dentro das condições estabelecidas pela legislação.

A mesma lei estabelece medidas relacionadas à realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 e cita entre seus princípios a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres no esporte.

A competição terá 64 partidas em oito capitais brasileiras. Para as pioneiras do futebol feminino homenageadas no 7 de Setembro, o calendário coloca a próxima grande data da modalidade em 24 de junho de 2027, quando começa a primeira Copa do Mundo feminina realizada no Brasil.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp