Homem vive 271 dias com rim de porco e caso indica novo caminho para quem espera transplante

Tim Andrews ficou 271 dias sem diálise com um rim suíno e depois recebeu um rim humano; caso indica uso futuro como ponte na espera.
Tim Andrews, paciente que recebeu transplante de rim de porco nos Estados Unidos.
Tim Andrews viveu 271 dias sem diálise após receber um rim de porco geneticamente modificado e, depois, passou por um transplante com órgão humano. (Foto: divulgação)

Um transplante de rim de porco permitiu que um paciente com insuficiência renal grave ficasse 271 dias sem diálise antes de receber um órgão humano. Agora, o caso ajuda pesquisadores a estudar uma possibilidade para o futuro: usar rins suínos como uma ponte para pessoas que ainda aguardam um doador compatível.

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O paciente é Tim Andrews, norte-americano que tinha 66 anos quando recebeu, em janeiro de 2025, um rim de porco geneticamente modificado no Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos. O órgão começou a funcionar imediatamente.

Por quase um ano, Andrews conseguiu ficar sem diálise. O período representa o maior tempo documentado sem o procedimento em uma pessoa viva depois de um xenotransplante renal e terminou com a primeira transição registrada de um rim suíno para um rim humano.

O caso foi detalhado em um estudo publicado em setembro na revista científica The Lancet. O trabalho tem entre os principais autores o médico brasileiro Leonardo Riella, especialista em transplantes do Mass General Brigham.

Rim de porco transplante pode virar ponte durante a espera

A proposta não é substituir imediatamente os rins humanos. Riella explica que, inicialmente, os pesquisadores enxergam o xenotransplante como uma forma de retirar pacientes da diálise enquanto esperam um doador humano.

Essa possibilidade ganha importância diante do número de pessoas que aguardam um órgão. Nos Estados Unidos, 143.982 adultos constavam nas listas de transplante renal em 2024, considerando também pacientes registrados em mais de um centro. Entre os candidatos, 14,3% estavam em diálise havia seis anos ou mais.

No caso de Andrews, o caminho chegou ao objetivo seguinte. Depois que o rim suíno perdeu a função, o paciente voltou temporariamente à diálise e, em janeiro de 2026, recebeu um rim de um doador humano, que apresentou funcionamento imediato.

Caso também mostra o que a ciência ainda precisa resolver

O resultado não significa que rins de porco já possam ser oferecidos rotineiramente a pacientes. Cerca de seis meses após o xenotransplante, uma infecção levou a equipe a reduzir a medicação que controlava a resposta imunológica. Depois disso, o órgão desenvolveu lesões nos pequenos vasos e inflamação até perder a função.

Os pesquisadores usam essas informações para estudar mudanças na imunossupressão, no acompanhamento dos pacientes e na engenharia genética dos animais. Durante os 271 dias, a equipe também acompanhou possíveis infecções entre espécies e não detectou transmissão de patógenos suínos para Andrews.

Por enquanto, o avanço está justamente no que o caso conseguiu demonstrar: um rim suíno manteve um paciente fora da diálise por meses e permitiu que, depois, ele recebesse um rim humano. Novos estudos terão de mostrar se essa estratégia pode ser repetida com segurança e por quanto tempo poderá sustentar pacientes enquanto esperam um transplante.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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