Os jovens que hoje enfrentam aluguel caro, dificuldade para poupar e um mercado de trabalho mais disputado podem ocupar uma posição financeira bem diferente na próxima década. O Bank of America Institute projeta a Geração Z como a maior e mais rica geração do mundo por volta de 2035.
Dois fatores ajudam a entender essa virada: os salários dos jovens empregados estão crescendo mais rapidamente que os das outras gerações analisadas pelo banco e uma grande transferência de patrimônio dos Baby Boomers para filhos e netos deverá ocorrer nos próximos anos.
A renda global da Geração Z dá dimensão à mudança. Ela era estimada em US$ 9 trilhões em 2023 e deve alcançar US$ 36 trilhões por volta de 2030, antes de chegar a US$ 74 trilhões perto de 2040, segundo o BofA Global Research.
Isso não significa que cada jovem ficará rico. Os valores correspondem à renda de toda a geração, que também deverá representar aproximadamente 30% da população mundial na próxima década.
Salários ajudam a explicar por que a Geração Z pode ser a mais rica
Entre os trabalhadores da Geração Z analisados pelo Bank of America, o crescimento dos salários chegou a quase 8% em fevereiro de 2025, na comparação com um ano antes. Foi o maior avanço entre as gerações e aproximadamente o dobro da mediana geral.
O relatório aponta também uma diferença na formação. Entre jovens de 18 a 21 anos que já haviam deixado o ensino médio em 2022, 57% estavam em universidades ou cursos superiores de dois ou quatro anos nos Estados Unidos. Na mesma idade, eram 52% dos Millennials e 43% da Geração X.
Maior escolaridade pode contribuir para taxas mais altas de emprego e renda mediana ao longo da carreira. Ao mesmo tempo, o banco ressalta que a entrada no mercado de trabalho ficou mais difícil para os jovens, o que impede tratar essa evolução como garantida.
Herança deve transferir patrimônio para as gerações mais jovens
Outro componente ocorre fora do salário. À medida que os Baby Boomers envelhecem, parte dos bens acumulados por essa geração deverá passar para filhos e netos.
Segundo o Bank of America, essa transferência pode aumentar o peso de Millennials e da Geração Z nas decisões de consumo e poupança.
A dimensão desse processo é grande.A Cerulli Associates estima que os Estados Unidos transferirão US$ 124 trilhões em patrimônio entre gerações até 2048. Diferentes gerações e organizações beneficentes receberão parcelas desse patrimônio.
Hoje, muitos jovens ainda gastam mais do que conseguem guardar
A perspectiva de longo prazo contrasta com o orçamento atual. Em pesquisa citada pelo Bank of America, 52% dos jovens da Geração Z disseram não ganhar dinheiro suficiente para manter o estilo de vida desejado.
Em fevereiro de 2025, os gastos da Geração Z eram quase o dobro do valor mantido em depósitos, segundo dados analisados pelo banco. Moradia e outros custos essenciais estão entre as despesas que pesam nesse cenário.
É justamente essa distância entre o presente e a próxima década que sustenta o contraste da projeção. Para a Geração Z se tornar mais rica, salários, renda e patrimônio ainda precisam seguir a trajetória estimada pelo estudo. O horizonte de 2035, portanto, é uma previsão econômica — não uma garantia de riqueza individual.