Amigas conquistam ouro na Olimpíada de História e dedicam vitória a estudante com câncer

Valentina não pôde disputar a final após iniciar tratamento contra um linfoma. As amigas seguiram na competição e fizeram do ouro uma homenagem a ela.
Valentina Almeida, estudante cearense homenageada pelas amigas após conquista de ouro na Olimpíada de História.
Valentina Almeida ajudou a equipe a chegar à final da Olimpíada de História, mas não pôde viajar por causa do tratamento contra um linfoma. As amigas conquistaram o ouro e dedicaram a vitória a ela. (Foto: arquivo pessoal)

Valentina Almeida não estava em Campinas quando suas amigas receberam uma das 17 medalhas de ouro da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). Ainda assim, a adolescente de 17 anos participou da comemoração: acompanhou tudo por uma chamada de vídeo e ouviu das colegas que aquela conquista também carregava a história dela.

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A estudante com câncer havia ajudado a equipe a chegar à final da Olimpíada depois de tentar a classificação em edições anteriores. Poucas semanas antes da etapa presencial, porém, Valentina recebeu o diagnóstico de linfoma de Hodgkin e, por orientação médica, não pôde viajar para Campinas (SP).

Cecília Almeida e Laís Castelo seguiram para a competição com Isadora Arruda, amiga do grupo que entrou no lugar de Valentina. Na cerimônia de premiação, em 30 de agosto, o trio conquistou o ouro e compartilhou a comemoração com a estudante que permanecia em Fortaleza.

A conquista ocorreu em uma edição com 64 mil equipes inscritas. Mais de 1,4 mil estudantes e professores chegaram à grande final, realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Estudante com câncer chegou à final após tentativas anteriores

A relação de Valentina com a ONHB começou em 2024. Ela tentou chegar à etapa nacional naquele ano e voltou a participar em 2025, mas não conseguiu avançar. A classificação finalmente veio em 2026, ao lado de Cecília e Laís.

Enquanto a competição avançava, a adolescente começou a perceber alterações no corpo, entre elas coceira, suor excessivo e caroços no pescoço. Depois de procurar atendimento e realizar exames, recebeu o diagnóstico de linfoma de Hodgkin por meio de uma biópsia.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) explica que a doença atinge o sistema linfático e pode provocar sintomas como gânglios inchados, suor noturno, febre, perda de peso e coceira. O órgão estima 3.070 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028.

Amigas mantiveram a equipe na Olimpíada

Quando soube que não poderia viajar, Valentina conversou com as colegas sobre como elas poderiam continuar. Isadora, que também participava da ONHB por outra equipe, mas não havia chegado à final, assumiu a vaga.

A nova formação seguiu com a preparação e terminou entre as 17 equipes premiadas com ouro. O desempenho teve ainda um contexto especial para o Ceará: o estado conquistou 26 medalhas de ouro, prata e bronze e foi o que mais teve equipes medalhistas na edição.

Valentina continua o tratamento e tem o segundo ciclo de quimioterapia previsto para 7 de setembro. Enquanto adapta a rotina aos cuidados de saúde, guarda a medalha das amigas como lembrança de uma trajetória construída em conjunto — primeiro estudando ao lado delas e, na final, acompanhando de Fortaleza a conquista que decidiram compartilhar com ela.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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