Caso de homofobia contra João Victor chega ao Ministério Público e streamer perde perfil após apelo nas redes

Após relatar ter sido alvo de homofobia na saída do Rock in Rio, João Victor recebeu apoio nas redes sociais e internautas se mobilizaram para suspender o perfil do streamer.
João Victor Gonçalves, ator de Quem Ama Cuida, após denunciar homofobia na saída do Rock in Rio.
Ator João Victor Gonçalves denunciou homofobia após ser abordado na saída do Rock in Rio; caso chegou ao Ministério Público e à Polícia Civil. (Foto: reprodução / redes sociais)

O caso de homofobia contra o ator João Victor Gonçalves, o Mau Mau de Quem Ama Cuida, ganhou novos desdobramentos fora das redes sociais. Após apelo e apoio de internautas, o Ministério Público foi acionado e vai apurar a denúncia. Além disso, o streamer Jean Almeida Hilário, conhecido como GH Rell RJ, teve o perfil suspenso na plataforma Kick.

Apoio

João Victor virou notícia no sábado, (05/09), após ser abordado por GH e outros rapazes enquanto deixava o Rock in Rio. Parte da interação foi transmitida ao vivo pela Kick. Nas cenas gravadas, o grupo fez comentários sobre a roupa usada pelo ator e riu dele. Depois que as imagens repercutiram, João Victor publicou um relato nas redes sociais, disse que se sentiu acuado e afirmou que o episódio reproduzia a mesma homofobia enfrentada por seu personagem na novela.

Mensagens de apoio e vídeos protestanto contra o comportamento do streamer se espalharam rapidamente pelas redes sociais neste final de semana. Com a repercusão e pressão popular, a Polícia Civil do Rio de Janeiro instaurou uma investigação por meio da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). O streamer foi identificado e intimado a prestar depoimento, enquanto as diligências continuam.

Em paralelo, a deputada federal Erika Hilton acionou o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para pedir apuração sobre a abordagem sofrida pelo ator na saída do Rock in Rio.

Homofobia contra João Victor chega ao Ministério Público

Erika Hilton informou que acionou o MPRJ contra os streamers envolvidos e também contra a Kick. A parlamentar pediu que o órgão investigue a transmissão e avalie a responsabilização dos envolvidos.

A representação também inclui pedidos relacionados à segurança nos acessos e saídas do Rock in Rio. Erika solicitou providências envolvendo a organização do festival e a Prefeitura do Rio de Janeiro.

Em uma frente separada, a Decradi instaurou investigação depois de tomar conhecimento das imagens. A Polícia Civil informou que apura as circunstâncias e que as diligências seguem em andamento. Jean Almeida Hilário foi intimado, mas ainda não há conclusão divulgada pela corporação.

Kick retira perfil do streamer após repercussão

A Kick baniu o perfil de GH após a repercussão do caso. A página do streamer passou a aparecer como indisponível na plataforma.

GH publicou um pedido de desculpas depois do episódio e disse que tentava produzir “entretenimento” durante a transmissão. O streamer também negou intenção homofóbica. A versão apresentada por ele não encerra a apuração conduzida pela polícia.

João Victor voltou ao Rock in Rio no domingo e falou sobre o apoio recebido desde que relatou o episódio. O ator contou que foi acolhido pelo público e por colegas durante o retorno ao festival.

Agora, os próximos desdobramentos dependem da investigação da Decradi e da análise da representação encaminhada ao MPRJ. Até que esses procedimentos avancem, não há conclusão oficial sobre responsabilidade penal, enquanto a retirada do perfil na Kick permanece como a consequência já aplicada pela plataforma.

O que fazer em casos como o de João Victor dentro e fora das redes sociais

Quem sofre ou presencia uma situação de homofobia pode tomar algumas medidas para registrar o ocorrido e facilitar uma eventual apuração. Se o episódio acontecer presencialmente, vídeos, fotos e contatos de testemunhas podem ajudar a documentar o caso. A vítima também pode procurar uma delegacia para registrar a ocorrência.

Quando a situação acontece ou é transmitida pelas redes sociais, como ocorreu durante a abordagem a João Victor, é importante preservar o conteúdo antes que ele seja excluído. Capturas de tela, gravações, links, nome do perfil, data e horário da publicação ajudam a identificar a origem do material. O conteúdo também pode ser denunciado à própria plataforma.

Outra opção é o Disque 100, canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania que recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive contra a população LGBTQIA+. A vítima ou outra pessoa que tenha conhecimento do episódio pode fazer a denúncia.

Se houver agressão, ameaça ou risco imediato, a orientação é buscar ajuda policial. O 190 deve ser acionado em situações de emergência. Fora de uma emergência, a ocorrência pode ser registrada na Polícia Civil para que o caso seja encaminhado à apuração.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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