Antes de soltar a tigresa Ümit, Cazaquistão passou 6 anos preparando a natureza

Ümit integra projeto que recuperou vegetação e presas por seis anos para devolver tigres a uma região onde desapareceram há mais de 70 anos.
Tigresa Ümit em área de conservação no Cazaquistão.
A tigresa Ümit integra o projeto que prepara a volta de tigres a uma região do Cazaquistão onde a espécie desapareceu há mais de 70 anos. (Foto: reprodução / Catraca Livre)

A tigresa Ümit chegou ao Cazaquistão para participar de um projeto que tenta devolver grandes felinos a uma região onde eles desapareceram há mais de 70 anos. Mas a preparação para recebê-la começou muito antes de sua viagem: foram seis anos recuperando o ambiente onde os animais deverão viver.

Apoio

Ümit é uma tigresa-de-amur levada da Rússia à Reserva Natural Ile-Balkhash em 2026. Ela chegou com outros três animais como parte do programa de reintrodução conduzido pelo governo cazaque com apoio de organizações de conservação.

O trabalho não se limitou a construir instalações para os tigres. A estratégia foi recuperar elementos necessários para que um grande predador consiga sobreviver no território: vegetação, disponibilidade de presas, proteção contra caça ilegal e estrutura para monitoramento.

Segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a reserva passou seis anos em recuperação, período em que áreas foram reflorestadas e animais que fazem parte da alimentação natural dos tigres voltaram a ocupar a região.

Tigresa Ümit chega depois da recuperação do habitat

A Reserva Ile-Balkhash foi criada em 2018. Desde então, mais de 50 hectares de vegetação nativa, incluindo salgueiros e outras espécies locais, foram plantados para recuperar áreas degradadas e melhorar as condições para a fauna.

O projeto também trabalhou para recuperar populações de javalis, gazelas e cervos-de-Bukhara. Esses animais têm um papel decisivo porque formam parte da base alimentar necessária para sustentar uma futura população de tigres.

Moradores das comunidades próximas também entraram no projeto. Segundo o WWF, parte deles participa do cultivo de mudas utilizadas na restauração e de ações voltadas à prevenção de incêndios e à proteção da reserva.

Retorno dos tigres ainda será acompanhado

O objetivo de longo prazo é estabelecer uma população selvagem capaz de se manter na região. O WWF trabalha com a meta de chegar a 50 tigres na natureza até 2035, mas esse número é uma projeção e depende do sucesso das próximas etapas.

A tigresa Ümit e os demais animais passam por acompanhamento de especialistas. O Ministério da Ecologia informou anteriormente que, antes de qualquer soltura, os tigres receberiam coleiras por satélite para que seus deslocamentos fossem monitorados.

Por enquanto, há uma diferença entre reportagens recentes que apresentam Ümit como já liberada e as últimas informações oficiais localizadas, que ainda descrevem a preparação para essa etapa. Até uma nova confirmação do governo ou da reserva, o ponto seguro é o que já aconteceu: anos de recuperação ambiental criaram as condições para que tigres possam voltar a ocupar o Cazaquistão.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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