CEO da Avine troca disputa apenas por preço por ovos de maior valor agregado

À frente da Avine, Airton Carneiro Júnior aposta em ovos enriquecidos, cage-free e pasteurizados para agregar valor e diferenciar a marca no varejo.
Airton Carneiro Júnior, CEO da Avine, em registro institucional da empresa.
Airton Carneiro Júnior, CEO da Avine, conduz a estratégia de diversificação da empresa com ovos enriquecidos, cage-free, caipiras e pasteurizados. (Foto: divulgação)

O ovo pode parecer um dos produtos mais simples da prateleira, mas Airton Carneiro Júnior, CEO da Avine, passou a conduzir uma estratégia para que a empresa não dependa apenas da disputa por preço. A saída foi aumentar a variedade: além dos tradicionais, a marca trabalha hoje com ovos enriquecidos, caipiras, de galinhas livres de gaiolas e versões pasteurizadas.

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A diferenciação é assumida pelo próprio executivo como parte da estratégia comercial. Segundo Airton, a empresa direciona o desenvolvimento do portfólio para produtos capazes de reduzir a exposição à competição centrada apenas em preço e gerar mais valor.

Esse caminho também ajuda a contar a trajetória do empresário dentro de um negócio que começou com o pai, Airton Carneiro, em 1992. Júnior entrou posteriormente na administração ao lado dele e da irmã, Ana Cláudia Carneiro, e hoje ocupa o cargo de CEO.

Formado em Administração, com MBA em Gestão Financeira e especialização em Estratégia de Marketing Empresarial pela Kellogg School of Management, Airton levou para a gestão uma formação voltada justamente para áreas que hoje aparecem na estratégia da companhia: eficiência, diferenciação e crescimento.

CEO da Avine aposta na diferença dentro de um produto cotidiano

A mudança não aconteceu de uma vez. A própria linha do tempo da Avine registra que os primeiros ovos enriquecidos com ômega-3 e vitamina E surgiram no início dos anos 2000, quando a companhia começava a aprofundar a diferenciação de seus produtos.

Outras categorias vieram depois. Em 2016, a empresa inaugurou uma unidade de ovos pasteurizados. Os ovos caipiras chegaram em 2020 e, no ano seguinte, começaram a ser comercializados os provenientes de galinhas livres de gaiolas. A produção cage-free também recebeu certificação Certified Humane.

Na prática, a estratégia permite que um mesmo alimento seja oferecido para públicos e usos diferentes. Os pasteurizados, por exemplo, atendem também food service, panificação e indústria, enquanto as linhas enriquecidas e cage-free ocupam outros espaços no varejo.

Avine passa de 2 milhões de ovos produzidos por dia

A diversificação aconteceu ao mesmo tempo em que a operação ganhou escala. A Avine informa atualmente uma produção superior a 2 milhões de ovos por dia e presença em 12 estados das regiões Norte e Nordeste.

O avanço ocorre em um mercado em que o brasileiro também está consumindo mais ovos. A Associação Brasileira de Proteína Animal estima que o consumo chegue a 306 unidades por habitante em 2026, acima das 269 registradas em 2024. A projeção ajuda a dimensionar o mercado, mas não significa que esse crescimento seja responsável, por si só, pela estratégia adotada pela empresa.

A Avine fechou 2025 com faturamento informado de R$ 428 milhões e projetou R$ 460 milhões para 2026. O resultado deste ano, porém, ainda depende do desempenho da companhia até o encerramento do exercício.

Para Airton Carneiro Júnior, o desafio agora é continuar fazendo o ovo deixar de ser tratado apenas como um produto definido pelo menor preço. Na Avine, isso passa por colocar nas mesmas gôndolas opções com atributos, sistemas de produção e usos diferentes — estratégia que será medida, no fim, pela capacidade de transformar essa variedade em preferência do consumidor.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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