A partir de 2026, a prova de vida do INSS também vai considerar o comparecimento às urnas nas eleições. O Instituto Nacional do Seguro Social divulgou a novidade na última sexta-feira (18/09), mas o que poucos brasileiros sabem é que, além do voto, outras ações do dia a dia também podem servir para que idosos e aposentados façam essa comprovação automaticamente.
O INSS também pode usar registros de atividades comuns, como tomar uma vacina, passar por determinados atendimentos de saúde ou renovar documentos, para confirmar que o beneficiário está vivo.
A diferença é importante: o aposentado não precisa guardar o comprovante da vacina ou levar uma CNH renovada até uma agência. O modelo atual prevê que o próprio INSS procure essas informações nas bases disponíveis e faça o cruzamento dos dados.
O procedimento alcança cerca de 40 milhões de beneficiários ativos, incluindo aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais. A presença nas eleições entra justamente como mais uma fonte para essa verificação automática.
O que também pode entrar na prova de vida do INSS
Entre os registros previstos estão atendimentos presenciais no INSS ou com reconhecimento biométrico, perícia médica presencial ou por telemedicina, atendimentos no sistema público de saúde ou na rede conveniada e vacinação.
A lista inclui ainda atualização do CadÚnico feita pelo responsável familiar, cadastro ou recadastramento em órgãos de trânsito ou segurança pública e emissão ou renovação de documentos oficiais que exijam presença física ou biometria. Entram nesse grupo passaporte, carteira de motorista, carteira de trabalho e documento de identidade.
O INSS também pode considerar empréstimos consignados feitos com reconhecimento biométrico, o recebimento do benefício com biometria e a declaração do Imposto de Renda como titular ou dependente. O conjunto dessas informações permite ao INSS procurar evidências recentes antes de exigir uma ação específica do beneficiário.
Como conferir se o INSS já fez a comprovação
Quem quiser verificar a situação pode acessar o aplicativo ou site Meu INSS e procurar o serviço “Prova de Vida”. Quando o procedimento já foi identificado automaticamente, aparece a data da última comprovação registrada.
A consulta também pode ser feita pela Central 135. Segundo o INSS, o beneficiário só precisa tomar providências quando o sistema não encontra dados suficientes e ele recebe uma comunicação informando sobre a necessidade de regularização.
Por isso, quem votar em 2026 não precisa enviar comprovante da eleição ao INSS. E quem não comparecer às urnas não fica automaticamente sem a prova de vida do INSS: outros registros disponíveis nas bases consultadas ainda podem cumprir essa função.
Dados do INSS mostram avanço da prova de vida automática
Um levantamento do Boa Notícia Brasil em relatórios e balanços publicados pelo INSS mostra como o cruzamento de bases públicas ganhou espaço na prova de vida nos últimos anos. Em 2023, cerca de 19 milhões de benefícios tiveram a comprovação atualizada. No ano seguinte, o número informado no relatório de gestão chegou a 30 milhões.
Outro balanço, com dados até 23 de dezembro de 2024, mostra o alcance que o sistema atingiu naquele ciclo: dos 36,9 milhões de beneficiários elegíveis, 34,6 milhões tiveram os dados atualizados por meio do cruzamento de informações.
Entre as bases utilizadas está a da Justiça Eleitoral. Nas eleições de 2024, o INSS recebeu registros eleitorais referentes a 20.957.288 beneficiários. Esses dados ajudaram a atualizar aproximadamente 5 milhões de provas de vida.
O impacto da base eleitoral também aparece no sentido contrário. Documentos analisados pelo Boa Notícia Brasil mostram que, em outubro de 2025, 30,5 milhões de benefícios constavam com a comprovação realizada. Em dezembro, eram 22,7 milhões.
Segundo o próprio INSS, parte dessa redução ocorreu porque haviam se passado 12 meses desde as eleições de 2024. Com isso, os registros eleitorais deixaram de servir como confirmação recente para beneficiários que não apresentaram movimentações em outras bases.
Os números ajudam a explicar por que votar em 2026 pode ter efeito prático para parte dos segurados. O comparecimento às urnas entra no conjunto de informações que o INSS cruza para tentar confirmar automaticamente que o beneficiário está vivo.