Um kart de verdade, mas que usa realidade virtual para transformar a pista em um mundo com dinossauros, gelo ou uma cidade futurista, já virou atração em diferentes países e também pode ser encontrado no Brasil.
A sensação é de entrar no jogo sem deixar de dirigir numa pista real. O piloto continua fazendo curvas, acelerando e disputando espaço com os outros karts, mas enxerga quatro mundos diferentes: Deserto Dourado, Terra do Gelo, Era Pré-Histórica e Sky City.
A experiência faz parte da VR LAND, criada pelo empresário Rodrigo Martins. O projeto começou a circular por shoppings brasileiros e ganhou um formato itinerante: em vez de permanecer definitivamente no mesmo lugar, a estrutura muda de endereço para alcançar novos públicos.
E a aposta encontrou mercado. Segundo Martins, o negócio já alcança R$ 120 mil de faturamento por mês. O valor ajuda a explicar como uma atração que mistura duas experiências conhecidas — kart e videogame — se transformou em uma operação capaz de viajar pelo país.
Kart com realidade virtual coloca o piloto dentro do jogo
A principal diferença está no que acontece depois que o participante coloca os óculos. O kart continua sendo real, assim como o movimento pela pista, mas o ambiente físico deixa de ser o cenário que o piloto vê durante a corrida.
Na Era Pré-Histórica, por exemplo, aparecem dinossauros pelo percurso. Já a Terra do Gelo muda completamente a paisagem da pista, enquanto Sky City leva a corrida para um ambiente futurista. Há ainda o Deserto Dourado entre as quatro opções disponíveis.
A proposta segue uma tendência que já aparece fora do Brasil. A BattleKart, por exemplo, informa manter 50 centros em nove países, combinando kart e elementos digitais em suas pistas. A tecnologia usada não é necessariamente a mesma da operação brasileira, mas mostra como transformar a corrida em uma experiência de videogame deixou de ficar restrito às telas.
Ideia surgiu depois de uma viagem à China
Rodrigo Martins já trabalhava com parques de realidade virtual quando começou a procurar uma atração diferente para trazer ao Brasil. Segundo o relato do empresário à PEGN, ele conheceu a tecnologia durante viagens à China e decidiu apostar no formato.
Para colocar a nova operação em funcionamento, Martins afirma ter investido cerca de R$ 1 milhão. O primeiro desafio, porém, não era apenas instalar os equipamentos. Era fazer com que a novidade continuasse atraindo gente depois do impacto inicial.
Foi daí que surgiu o modelo itinerante. Em vez de manter o kart indefinidamente no mesmo endereço, a empresa passou a desmontar a estrutura e levá-la para outros shoppings. Assim, cada nova parada coloca a experiência diante de um público que ainda não teve contato com ela.
A pista agora viaja por diferentes shoppings
Em 2026, o kart com realidade virtual já apareceu em diferentes pontos do país. Em maio, passou pelo Internacional Shopping, em Guarulhos, onde foi apresentado como o primeiro kart com realidade virtual do Brasil.
Depois, a experiência também chegou ao Shopping Jardim Sul, em São Paulo, e teve passagem pelo Rio de Janeiro. Em cada endereço, a montagem funciona durante uma temporada determinada antes de seguir para outra localização.
A lógica resolve justamente um dos problemas percebidos pelo empreendedor nos parques fixos: depois que boa parte do público local experimenta uma atração, fica mais difícil manter o mesmo nível de novidade. Ao colocar a estrutura na estrada, a empresa encontra novos visitantes sem precisar criar um parque inteiro em cada cidade.
No fim, é essa mistura que ajuda a explicar o apelo do kart com realidade virtual: o participante não controla um carro por uma tela. Ele entra no veículo, pisa no acelerador e percorre uma pista de verdade — enquanto, diante dos olhos, o caminho pode estar cercado por gelo, prédios futuristas ou dinossauros.