Um cachorro que um dia precisou ser salvo passou anos procurando outras pessoas que precisavam de socorro. O cão Tsunami, resgatado ainda filhote depois de sofrer maus-tratos e chegar desnutrido a uma associação de proteção animal, agora ganhou uma estátua em Maracaibo, na Venezuela.
A homenagem foi inaugurada no parque Vereda del Lago e reconhece a trajetória do animal em operações de busca e resgate. Tsunami esteve presente na cerimônia ao lado do treinador Jorge Beens, responsável por sua formação para trabalhar em áreas atingidas por desastres.
A história começou muito antes dos terremotos que atingiram a Venezuela em junho. A Associação Pro Defesa dos Animais (Aproa) relata que encontrou Tsunami desnutrido e vítima de maus-tratos ainda filhote. A entidade entrou em contato com Beens, que começou a treiná-lo para busca e salvamento.
Anos depois, aquele mesmo cachorro passou a entrar em cenários de destruição para localizar pessoas entre os escombros. Em 2026, já perto da aposentadoria, Tsunami voltou a atuar depois dos fortes terremotos que atingiram a Venezuela.
Cão Tsunami já havia participado de missões fora da Venezuela
A carreira de Tsunami não começou nos terremotos deste ano. Antes disso, ele e Jorge Beens já tinham participado de operações após a tragédia de Las Tejerías, na Venezuela, e do trabalho humanitário realizado depois do terremoto que atingiu a Turquia em 2023.
O treinamento prepara o animal para procurar sinais de pessoas em locais onde equipes humanas enfrentam dificuldade para chegar. Tsunami passou a formar com Beens uma dupla de busca do Centro de Formação de Equipos Caninos de Intervención en Desastres, o K-SAR ECID.
Quando os terremotos atingiram novamente a Venezuela em 24 de junho, Tsunami voltou aos escombros. O governo venezuelano informou à época que o cão participou da localização de sobreviventes durante os trabalhos de emergência.
Estátua transforma trajetória de resgate em homenagem permanente
A Prefeitura de Maracaibo instalou a estátua na Vereda del Lago. O escultor venezuelano José Benjamín Figueroa produziu a obra, inaugurada em setembro com a presença de Tsunami e de seu treinador.
A homenagem chega justamente quando o cão encerra a carreira operacional. Em julho, a Aproa informou que Tsunami se aposentaria das missões depois dos trabalhos realizados nos terremotos da Venezuela.
Para o cão Tsunami, a estátua fecha um percurso pouco comum: ele começou a vida dependendo do trabalho de pessoas dedicadas ao resgate de animais e terminou a carreira ajudando equipes a encontrar seres humanos em situações de desastre. Agora, sua história ficará registrada no mesmo país onde ele próprio recebeu uma segunda chance.