Uma equipe de 16 mulheres levou o Starnav Elektra de Itajaí, em Santa Catarina, ao Rio de Janeiro e marcou uma viagem incomum na navegação brasileira. Uma das integrantes, Lorrayne Vaz Coelho, apresentou o grupo como a primeira tripulação feminina da Marinha Mercante. A Petrobras confirma que todas as pessoas embarcadas no trajeto eram mulheres, sob o comando de Isabela Teixeira Ponce de Leon.
A viagem aconteceu antes do batismo do navio, realizado em 17 de setembro, no Píer Mauá, no Rio. O Starnav Elektra foi construído no Estaleiro Detroit, em Itajaí, recebeu investimento de cerca de R$ 450 milhões e será usado no apoio às plataformas de petróleo nas bacias brasileiras.
O protagonismo das 16 profissionais ganha peso diante de uma carreira ainda majoritariamente masculina. A Agência Marinha de Notícias informou recentemente que 23% do corpo de alunos da Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM) já é formado por mulheres.
Primeira tripulação feminina reúne profissionais a bordo
A composição integralmente feminina chamou atenção justamente por reunir, em uma mesma operação, mulheres responsáveis pela rotina da embarcação. A Petrobras não detalhou publicamente a função de cada uma das 16 profissionais, mas confirmou que Isabela Teixeira Ponce de Leon comandou a equipe durante a viagem entre Santa Catarina e o Rio.
O marco se soma a uma trajetória que começou a abrir novos espaços há décadas. Em 2009, Hildelene Lobato Bahia tornou-se a primeira mulher a comandar um navio no Brasil. Com a conquista, ela chegou ao posto mais alto da hierarquia da Marinha Mercante brasileira.
Esse avanço, porém, não apagou os obstáculos. Um estudo de 2023 da Escola de Guerra Naval analisou a presença das mulheres na Marinha Mercante. A pesquisa identificou avanços na formação e na atuação profissional, mas também desafios relacionados ao preconceito e às condições de trabalho no setor.
Navio também estreia nova geração de embarcações
O Starnav Elektra é um PSV, sigla em inglês para um navio que presta apoio às plataformas no mar. A embarcação transporta materiais, equipamentos e suprimentos necessários às operações.
A embarcação é também a primeira entregue pelo Programa Mar Aberto, da Petrobras. O Elektra incorpora banco de baterias, monitoramento do consumo de energia e outras tecnologias destinadas a diminuir o uso de combustível e as emissões durante a operação.
Depois do batismo no Rio, o navio seguirá para trabalhar nas bacias petrolíferas brasileiras. Para a primeira tripulação feminina, a viagem já deixou um registro concreto. Dezesseis mulheres navegaram juntas de Santa Catarina ao Rio em uma embarcação que agora começa sua vida operacional.