Europa conclui teste que pode levar cobertura móvel a regiões onde torres não conseguem chegar

A Europa concluiu a primeira transmissão 5G via satélite baseada em um padrão internacional. O avanço pode ampliar a cobertura móvel em regiões onde instalar antenas é mais difícil.
O avanço do 5G via satélite abre caminho para ampliar a cobertura móvel em regiões onde as redes terrestres ainda enfrentam limitações.
A Europa deu um passo importante para o futuro do 5G via satélite ao validar uma tecnologia que poderá complementar a cobertura das redes móveis. (Foto: imagem gerada por IA)

A Europa concluiu a primeira transmissão baseada no padrão internacional de 5G via satélite, um teste que abre caminho para ampliar a cobertura móvel em regiões onde as redes terrestres enfrentam limitações. O experimento representa um avanço tecnológico na integração entre satélites e redes de telefonia, mas ainda não corresponde ao lançamento de um serviço comercial para consumidores.

A transmissão foi iniciada agora em julho, pelo projeto europeu TRANTOR utilizando o satélite Hispasat 30W-6. O objetivo foi validar uma rede não terrestre (NTN, na sigla em inglês) compatível com os padrões internacionais do 3GPP, organização responsável pelas especificações técnicas das redes móveis. O teste demonstrou que satélites podem atuar de forma integrada às redes celulares, ampliando as possibilidades de cobertura em locais onde a infraestrutura terrestre encontra limitações.

O experimento teve caráter tecnológico e validou a comunicação utilizando equipamentos compatíveis com o padrão 5G NTN. A iniciativa demonstra a viabilidade dessa integração, mas ainda depende de novas etapas de desenvolvimento, da evolução dos equipamentos e da futura implementação comercial pelas empresas do setor.

Entre as aplicações previstas estão áreas rurais, regiões montanhosas, rotas marítimas e situações em que a infraestrutura terrestre esteja indisponível ou temporariamente comprometida. Nesses cenários, os satélites poderão complementar as redes existentes, aumentando a disponibilidade da comunicação.

Padronização internacional permite que satélites e redes móveis utilizem a mesma linguagem

O principal resultado do projeto foi validar equipamentos compatíveis com o padrão internacional 5G NTN. O padrão segue as especificações do 3GPP Release 17 para redes não terrestres (NTN), referência internacional para a integração entre redes móveis e satélites. Isso permite que fabricantes de equipamentos de telecomunicações e do setor espacial desenvolvam soluções seguindo uma mesma especificação técnica, favorecendo a interoperabilidade entre diferentes redes e reduzindo a dependência de tecnologias proprietárias.

Segundo o consórcio responsável pelo projeto, essa evolução também inicia uma transição gradual do tradicional padrão DVB, utilizado há décadas nas transmissões por satélite, para uma arquitetura baseada em tecnologias 5G. Além disso, cria as bases para futuras soluções de conexão direta entre satélites e dispositivos compatíveis, caso essas tecnologias avancem para aplicações comerciais.

Projeto também prepara o caminho para tecnologias pré-6G

Além da transmissão inédita, o TRANTOR desenvolveu uma arquitetura capaz de operar com diferentes satélites, órbitas e bandas de frequência. O projeto também incorporou recursos de inteligência artificial para otimizar o gerenciamento da rede e mecanismos voltados à segurança das comunicações.

Financiado pelo programa Horizon Europe com cerca de € 5,99 milhões, o projeto reuniu universidades, centros de pesquisa e empresas de diversos países europeus durante três anos. Os resultados deverão contribuir para a evolução das redes 5G avançadas e apoiar pesquisas relacionadas às futuras tecnologias pré-6G.

Embora ainda não exista previsão para a oferta comercial dessa tecnologia em larga escala, a conclusão do teste demonstra que a integração entre redes móveis e satélites avança para um modelo baseado em padrões internacionais. Se essa evolução chegar ao mercado, o 5G via satélite poderá complementar a cobertura das redes terrestres em regiões onde a conectividade ainda enfrenta limitações.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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