Michael J. Fox é premiado por ajudar ciência a detectar Parkinson antes dos sintomas

Michael J. Fox recebeu o Prêmio Lasker após 25 anos de atuação contra o Parkinson. Pesquisa apoiada por sua fundação já identifica sinais biológicos precoces.
Michael J. Fox, ator e fundador de organização de apoio à pesquisa sobre Parkinson.
Michael J. Fox recebeu o Prêmio Lasker em 2026 pelo trabalho de apoio à pesquisa sobre Parkinson. A fundação criada pelo ator já destinou bilhões de dólares a estudos sobre a doença. (Foto: reprodução / People)

O ator Michael J. Fox, que convive com Parkinson desde os 29 anos, recebeu na última quarta-feira (09/09) um dos principais reconhecimentos da área médica dos Estados Unidos. Mas o prêmio vai além de sua trajetória pessoal: ele destaca uma estrutura de pesquisa que já produziu avanços concretos no estudo da doença.

Apoio

Por meio da Michael J. Fox Foundation for Parkinson’s Research, criada em 2000, o ator ajudou a direcionar mais de US$ 3 bilhões para pesquisas. Parte desse esforço sustenta um dos maiores estudos de longo prazo sobre Parkinson já realizados.

O resultado mais importante para quem acompanha o tema é que pesquisadores conseguiram identificar sinais da biologia associada ao Parkinson em pessoas vivas. Em alguns participantes, esses sinais apareceram anos antes dos primeiros sintomas clínicos.

Isso não significa que exista hoje um exame simples capaz de prever quem necessariamente desenvolverá Parkinson. O avanço permite estudar melhor diferentes perfis da doença e selecionar participantes de pesquisas com muito mais precisão.

Michael J Fox mantém estudo sobre Parkinson que acompanha milhares de voluntários

A descoberta veio do Parkinson’s Progression Markers Initiative (PPMI), projeto lançado pela fundação em 2010. Atualmente, quase 5 mil voluntários são acompanhados presencialmente, enquanto dezenas de milhares fornecem informações pela internet.

Os participantes cedem dados clínicos e amostras biológicas que ajudam cientistas a acompanhar como o Parkinson surge e progride. A proposta do projeto de Michael J Fox é estudar pessoas com características diferentes para entender por que o Parkinson não evolui da mesma maneira em todos os pacientes.

Foi nesse banco de informações que pesquisadores validaram, em 2023, um método que procura alterações relacionadas à proteína alfa-sinucleína. O estudo publicado no The Lancet Neurology encontrou alta capacidade de identificar a patologia típica em determinados grupos de pessoas com Parkinson.

Prêmio reconhece atuação que colocou pacientes dentro da pesquisa

O Lasker~Bloomberg Public Service Award reconheceu Fox por aproximar pacientes, cientistas, médicos, empresas e financiadores. Segundo a Lasker Foundation, a atuação ajudou a acelerar pesquisas em busca de tratamentos melhores e, no futuro, de uma cura.

Esse modelo também mudou o papel das pessoas que vivem com Parkinson. Em vez de aparecerem apenas como destinatárias de tratamentos, milhares passaram a contribuir diretamente com informações e amostras utilizadas pelos pesquisadores.

A pesquisa ainda não representa uma cura nem substitui a avaliação médica. O próximo desafio é transformar esses biomarcadores em ferramentas que ajudem a testar tratamentos mais direcionados e identificar quais pacientes podem responder melhor a cada abordagem. A fundação prevê investir quase US$ 700 milhões somente em 2026 para manter esse trabalho avançando.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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