Os plásticos biodegradáveis representam uma alternativa aos materiais convencionais, mas muitos ainda deixam pequenas partículas durante a decomposição. Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências desenvolveram uma abordagem diferente. A equipe criou um plástico vivo capaz de eliminar o próprio resíduo sem formar microplásticos.
Nos testes em laboratório, o material começou a se decompor depois que os microrganismos presentes em sua estrutura foram ativados. Em apenas seis dias, o plástico se degradou em componentes básicos sem produzir as partículas microscópicas que hoje contaminam rios, oceanos, alimentos e até o organismo humano.
A tecnologia ainda está em fase experimental e, por enquanto, funciona com um tipo específico de plástico biodegradável. Mesmo assim, o estudo apresenta uma estratégia diferente para enfrentar um problema persistente: produtos usados por pouco tempo podem permanecer no ambiente durante anos depois do descarte.
Como o plástico vivo impede a formação de microplásticos
O diferencial do plástico vivo está na incorporação de esporos dormentes da bactéria Bacillus subtilis durante a fabricação do material. Enquanto permanecem inativos, esses microrganismos não alteram a resistência nem a funcionalidade do plástico.
A ativação ocorre apenas quando os pesquisadores adicionam um meio nutritivo. Nesse momento, as bactérias passam a produzir duas enzimas que atuam juntas para quebrar as cadeias de polímeros que formam o plástico.
Segundo os autores, essa estratégia representa um avanço em relação às pesquisas anteriores, que normalmente utilizavam apenas uma enzima. A atuação conjunta tornou a degradação mais eficiente e impediu a formação de microplásticos ao longo do processo.
Plástico vivo já foi testado em um produto funcional
Depois dos experimentos iniciais, a equipe incorporou os microrganismos a um dispositivo plástico flexível de uso prático. O protótipo manteve sua funcionalidade durante o uso e, após a ativação das bactérias, degradou-se completamente em cerca de duas semanas.
Os pesquisadores ressaltam que a tecnologia ainda está em fase experimental. Mesmo assim, ela pode abrir espaço para aplicações em produtos projetados para uso temporário, como alguns dispositivos médicos e embalagens descartáveis.
O próximo passo da pesquisa é desenvolver uma forma de ativar automaticamente os esporos quando o material entrar em contato com a água. Se essa etapa for bem-sucedida, a estratégia poderá ajudar a reduzir o acúmulo de resíduos plásticos em ambientes aquáticos e evitar que eles se transformem em microplásticos.