Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos, desenvolveram uma tecnologia de tatuagem sem dor que substitui as repetidas perfurações da máquina tradicional por um adesivo com microagulhas microscópicas e dissolvíveis.
As estruturas são menores que um grão de areia e carregam o próprio pigmento da tatuagem. Ao serem pressionadas contra a pele, depositam a tinta de uma só vez e se dissolvem após a aplicação.
O método permite produzir letras, números, símbolos e desenhos previamente definidos. A proposta é reduzir dor, sangramento e o tempo necessário para a aplicação, embora a técnica ainda não ofereça a mesma liberdade artística de uma tatuagem convencional.
A pesquisa foi publicada originalmente em 2022 na revista científica iScience. Em julho de 2025, um pedido de patente relacionado à tecnologia foi publicado nos Estados Unidos e seguia em tramitação em 2026.
Tatuagem sem dor muda a forma de aplicar o desenho
Na técnica tradicional, a máquina movimenta agulhas repetidamente para introduzir pigmento na pele. No sistema desenvolvido pela Georgia Tech, cada microagulha funciona como um ponto da imagem que será formada.
Essas microagulhas são produzidas com partículas de tinta envolvidas por um material solúvel. O conjunto é organizado previamente no formato do desenho e aplicado como um adesivo.
Nos testes, os pesquisadores conseguiram produzir tatuagens coloridas, símbolos e imagens com pigmentos visíveis apenas sob luz ultravioleta. Algumas marcas permaneceram visíveis por pelo menos um ano nos experimentos realizados em animais.
Tecnologia ainda tem limitações
A principal diferença em relação ao trabalho de um tatuador está na personalização. Como o desenho precisa ser preparado antes da aplicação, a tecnologia ainda é mais adequada a formas simples e previamente definidas.
Os pesquisadores também testaram aplicações voltadas à área médica. Entre elas estão símbolos relacionados a condições de saúde, tipos sanguíneos e outras informações que poderiam ser incorporadas à pele.
A técnica também foi estudada com códigos e pigmentos especiais, o que indica usos além da tatuagem estética.
Pesquisa ainda não foi testada clinicamente em pessoas
Apesar dos resultados, a tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento. O estudo publicado utilizou pele suína fora do organismo e testes em animais, sem ensaios clínicos em humanos.
Por isso, ainda não é possível afirmar como a sensação da aplicação se compara, na prática, à de uma tatuagem convencional em pessoas.
Também não há prazo confirmado para que a tatuagem sem dor chegue ao mercado. O avanço da tecnologia ainda depende de novos testes, validação de segurança e do desenvolvimento de aplicações comerciais.