A vacina da Covid demonstrou uma proteção que vai além das complicações respiratórias da doença. Estudo publicado na segunda-feira (15/06) no JAMA Internal Medicine identificou redução de 38% nos eventos cardiovasculares graves associados à Covid-19, incluindo infarto, AVC, insuficiência cardíaca e mortes de origem cardiovascular.
A pesquisa analisou mais de 1 milhão de veteranos dos Estados Unidos, dos quais 349.085 receberam a vacina contra gripe e a atualização da vacina contra Covid no mesmo dia. O método permitiu comparar grupos com características semelhantes de comportamento relacionado à saúde.
O resultado mais expressivo apareceu entre pessoas com mais de 75 anos. Nessa faixa etária, a vacina contra Covid foi associada a uma redução de 50,7% nos eventos cardiovasculares graves registrados durante o acompanhamento. Na prática, isso representa menor probabilidade de enfrentar complicações que frequentemente levam a hospitalizações prolongadas e perda de autonomia.
A descoberta chama atenção porque a Covid-19 já foi associada em pesquisas anteriores ao aumento do risco de infarto, AVC e outras complicações cardiovasculares após a infecção. O novo trabalho investigou se a vacinação atualizada poderia reduzir parte desses efeitos antes que eles se manifestassem.
Vacina da Covid protege o coração ao reduzir danos provocados pelo coronavírus
Segundo os autores, o SARS-CoV-2 pode desencadear processos inflamatórios e alterações na coagulação capazes de lesionar vasos sanguíneos e favorecer a formação de trombos.
Esses coágulos estão entre os mecanismos que podem provocar infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Ao reduzir a gravidade da infecção, a vacina da Covid protege o coração de forma indireta e diminui processos associados ao risco cardiovascular.
A média de idade dos participantes era de 70 anos, característica que permitiu aos pesquisadores avaliar os efeitos da vacinação em uma população com maior incidência de doenças cardíacas e complicações vasculares.
Benefício foi maior entre pessoas com doenças crônicas
Os pesquisadores verificaram que a eficácia relativa permaneceu estatisticamente significativa tanto em participantes com comorbidades quanto naqueles sem doenças pré-existentes.
O benefício absoluto, porém, foi maior entre pessoas com doença cardiovascular, diabetes, doença renal crônica, doença pulmonar crônica e imunossupressão. Esses grupos concentram parte das hospitalizações mais frequentes após infecções respiratórias e apresentam maior vulnerabilidade a complicações clínicas.
Os autores também identificaram proteção cardiovascular estatisticamente significativa entre participantes sem comorbidades. O resultado sugere que os benefícios observados não ficaram restritos aos grupos tradicionalmente considerados de alto risco.
Estudo reforça relação entre vacina da Covid e coração
Os pesquisadores observaram que o número de eventos evitados foi maior quando analisaram todas as ocorrências cardiovasculares registradas, e não apenas aquelas confirmadas como consequência direta da Covid-19.
A cada 10 mil pessoas imunizadas, foram evitados dois eventos cardiovasculares graves associados à doença. Quando todos os episódios cardíacos registrados foram considerados, o número subiu para cerca de 24 eventos evitados por grupo de 10 mil vacinados.
Para famílias que convivem com idosos ou pessoas com doenças crônicas, os resultados sugerem uma proteção adicional contra complicações que frequentemente exigem internação, reabilitação prolongada e acompanhamento médico contínuo. O achado também amplia o debate sobre envelhecimento saudável e saúde cardiovascular após os 75 anos.
Os pesquisadores afirmam que parte das complicações cardiovasculares relacionadas ao coronavírus pode ocorrer mesmo quando a infecção não é confirmada por testes laboratoriais, hipótese compatível com a diferença observada entre os grupos avaliados.
O trabalho foi realizado com uma população predominantemente masculina, branca e idosa, o que exige cautela na extrapolação dos resultados para outros perfis demográficos. Ainda assim, os autores estimam que, em uma população de 1 milhão de pessoas, a vacinação poderia evitar cerca de 1.580 mortes e 2.370 eventos cardiovasculares adversos ao longo de oito meses.
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