Tratamento para mieloma múltiplo mantém 8 em cada 10 pacientes sem avanço da doença após 3 anos

Uma combinação inédita de imunoterapias aprovada pela Anvisa manteve oito em cada dez pacientes com mieloma múltiplo sem progressão da doença após três anos. O estudo também mostrou redução de 83% no risco de avanço do câncer ou morte.
Novo tratamento para mieloma múltiplo manteve oito em cada dez pacientes sem progressão da doença após três anos, segundo estudo internacional.
A combinação de imunoterapias aprovada pela Anvisa representa um avanço no tratamento para mieloma múltiplo em pacientes que tiveram recaída da doença. (Foto: reprodução/SBC)

Uma nova combinação de imunoterapias aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) trouxe uma perspectiva animadora para pacientes que convivem com o mieloma múltiplo. Em um estudo clínico internacional, oito em cada dez participantes permaneceram vivos e sem progressão da doença após três anos, resultado considerado um dos mais promissores já registrados para pessoas que enfrentaram recaídas desse tipo de câncer do sangue.

A terapia combina os medicamentos teclistamabe e daratumumabe e foi aprovada para adultos com mieloma múltiplo recidivado ou refratário que já passaram por pelo menos uma linha de tratamento. Além de prolongar o controle da doença, o estudo mostrou redução de 83% no risco de progressão do câncer ou morte em comparação com os tratamentos convencionais.

Como funciona o tratamento para mieloma múltiplo

O mieloma múltiplo é um câncer hematológico que afeta os plasmócitos, células da medula óssea responsáveis pela produção de anticorpos. Quando essas células sofrem alterações, passam a se multiplicar de forma descontrolada e comprometem o funcionamento do sistema imunológico.

A nova estratégia utiliza o teclistamabe, um anticorpo biespecífico que aproxima as células de defesa das células cancerígenas para estimular o ataque do próprio sistema imunológico ao tumor. Em associação com o daratumumabe, a resposta ao tratamento se torna mais eficaz em pacientes cuja doença voltou após a terapia inicial.

Outro diferencial é a aplicação por via subcutânea, realizada em ambiente ambulatorial e com menor necessidade de corticoides. Essas características podem tornar o tratamento mais confortável e reduzir o impacto da terapia na rotina dos pacientes.

Pacientes retomaram a rotina após a remissão

Os benefícios observados no estudo também apareceram na vida de quem participou da pesquisa.

Diagnosticada com mieloma múltiplo em 2017, a engenheira civil e advogada Mônica Deganello, de 58 anos, enfrentou dois transplantes de medula óssea e cinco anos de tratamento até descobrir que a doença havia retornado. Após ingressar no estudo clínico, entrou em remissão completa e permanece assim quatro anos depois.

Com a melhora, ela concluiu a faculdade de Direito e conquistou a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Recuperou a rotina profissional e voltou a trabalhar. Também retomou hábitos saudáveis, como musculação e caminhadas.

A supervisora de controle de qualidade Nícia Dalfre, de 67 anos, também participou da pesquisa após apresentar uma recaída do mieloma múltiplo. Desde então, permanece em remissão completa. Ela voltou a caminhar, fazer pilates, realizar fisioterapia e até assistir a shows, atividades que havia interrompido durante o tratamento.

Avanço científico ainda não chegou ao SUS

Apesar dos resultados, especialistas alertam que o tratamento para mieloma múltiplo ainda não está disponível para os pacientes da rede pública.

De acordo com a CNN, a hematologista Vania Hungria, professora da Santa Casa de São Paulo e investigadora do estudo, explicou que a velocidade das descobertas científicas supera o ritmo de incorporação de novos medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS). Como consequência, muitos pacientes só conseguem acesso às terapias mais inovadoras por meio da participação em estudos clínicos.

Embora o mieloma múltiplo ainda seja considerado uma doença sem cura definitiva, os avanços da imunoterapia vêm ampliando o tempo de remissão e a qualidade de vida dos pacientes. A aprovação da nova combinação pela Anvisa representa mais uma alternativa para quem enfrenta recaídas e reforça o avanço das pesquisas no tratamento desse tipo de câncer.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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