A vacinação contra o HPV começou a produzir um efeito esperado desde a introdução do imunizante no Brasil: reduzir a circulação do vírus a ponto de beneficiar também parte das pessoas que não foram vacinadas. O resultado foi identificado pelo Estudo Pop-Brasil, considerado o maior da América Latina sobre a efetividade da vacina contra HPV.
Os pesquisadores compararam duas etapas do levantamento e verificaram que a prevalência dos quatro tipos de HPV cobertos pela vacina caiu de 14,8% para 7,9% entre jovens de 16 a 25 anos. A redução foi mais expressiva entre pessoas vacinadas, mas também apareceu entre mulheres que nunca receberam o imunizante, indicando o início da proteção coletiva.
Estudo identifica redução da circulação dos tipos de HPV cobertos pela vacina
A proteção coletiva ocorre quando a circulação de um vírus diminui em razão da alta cobertura vacinal. Com menos pessoas transmitindo o agente infeccioso, quem não foi vacinado também passa a ter menor risco de exposição.
No estudo brasileiro, esse efeito foi observado entre as mulheres. Entre aquelas que não haviam recebido a vacina, a prevalência dos quatro tipos de HPV incluídos no imunizante foi de 10,5%, resultado apontado pelos pesquisadores como evidência de proteção indireta.
Entre as mulheres vacinadas, a prevalência caiu para 3,8%, enquanto entre os homens vacinados ficou em 8,3%. Já entre os homens não vacinados, a redução não foi estatisticamente significativa. Segundo os pesquisadores, a diferença está relacionada à menor cobertura vacinal masculina, que era de 31,1%, contra 61,8% entre as mulheres.
Pesquisa reforça estratégia de vacinação adotada no SUS
Coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, o Estudo Pop-Brasil avaliou a circulação do HPV após a introdução da vacina no Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa também mostrou que a queda ocorreu especificamente nos quatro tipos de HPV cobertos pelo imunizante. Ao mesmo tempo, a prevalência geral do vírus passou de 46,6% para 56,8%, indicando que a redução não foi resultado de uma diminuição ampla da circulação do HPV, mas da proteção oferecida pela vacina.
Outro resultado foi a confirmação da eficácia da estratégia de dose única, adotada pelo Brasil em 2024 com base na recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo os pesquisadores, os dados reforçam que uma única aplicação é suficiente para manter a proteção contra os tipos de HPV incluídos na vacina.
Vacinação reduz risco de câncer relacionado ao HPV
O HPV está associado ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, como os de colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe. Ao reduzir a circulação dos tipos mais associados a esses tumores, a vacina contra HPV amplia seu impacto como estratégia de prevenção.
Os pesquisadores afirmam que os resultados reforçam a importância de ampliar a cobertura vacinal. Quanto maior o número de pessoas imunizadas, maior tende a ser a proteção coletiva observada na população.