Nova tecnologia traz medicamento para câncer de pulmão que age diretamente no tumor

A Anvisa aprovou uma nova indicação para o Datroway, medicamento que utiliza tecnologia de ação direcionada ao tumor e amplia as opções de tratamento para um grupo específico de pacientes com câncer de pulmão.
Medicamento para câncer de pulmão: Anvisa aprovou uma nova indicação para o Datroway, tratamento que utiliza tecnologia capaz de concentrar a entrega da quimioterapia nas células tumorais. A novidade amplia as opções para um grupo específico de pacientes.
Medicamento para câncer de pulmão: a nova indicação aprovada é destinada a pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células e mutação no gene EGFR cuja doença voltou a progredir após terapias anteriores. (Foto: Freepik)

Pacientes brasileiros com um tipo específico de câncer de pulmão passam a contar com uma nova opção terapêutica aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nesta segunda-feira (27/07). O diferencial do tratamento está na tecnologia utilizada para concentrar a entrega da quimioterapia nas células tumorais que expressam o alvo biológico, buscando reduzir a exposição de tecidos saudáveis em comparação com a quimioterapia convencional.

A Anvisa aprovou uma nova indicação para o Datroway (datopotamabe deruxtecana). O medicamento poderá ser utilizado por adultos com câncer de pulmão de não pequenas células localmente avançado ou metastático que apresentem mutação no gene EGFR e cuja doença tenha progredido após terapia direcionada ao EGFR e quimioterapia à base de platina.

Como funciona o medicamento para câncer de pulmão

O Datroway pertence à classe dos conjugados anticorpo-fármaco (ADC), uma estratégia mais recente da oncologia. Esses medicamentos unem um anticorpo, capaz de reconhecer proteínas presentes nas células tumorais, a uma molécula de quimioterapia.

No caso do Datroway, o anticorpo reconhece a proteína Trop-2, frequentemente presente na superfície de células tumorais. Quando encontra esse alvo, ele libera o medicamento na célula cancerígena.

A proposta dessa tecnologia é concentrar a ação do tratamento nas células que apresentam essa proteína, reduzindo a exposição de outros tecidos em comparação com a quimioterapia convencional. Ainda assim, o medicamento pode provocar efeitos adversos e exige acompanhamento médico.

Essa abordagem faz parte do avanço das terapias desenvolvidas de acordo com as características moleculares de cada tumor e amplia o uso de tratamentos direcionados na oncologia.

Quem poderá receber o tratamento

A nova indicação contempla pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células, responsável por cerca de 85% dos casos da doença. Dentro desse grupo, apenas uma parcela apresenta mutações no gene EGFR, alteração que costuma responder inicialmente às terapias-alvo, mas pode desenvolver resistência com o tempo.

Segundo a Anvisa, esses pacientes costumavam ter poucas alternativas terapêuticas com benefício clínico relevante após a progressão da doença mesmo depois do tratamento com medicamentos direcionados ao EGFR e da quimioterapia à base de platina. A nova indicação amplia as opções disponíveis justamente para esse cenário.

O Datroway já possuía registro no Brasil para determinados casos de câncer de mama. Agora, também poderá ser utilizado nessa nova indicação para câncer de pulmão.

Quando o medicamento poderá chegar aos pacientes do SUS?

A autorização da Anvisa permite a comercialização do medicamento para essa indicação no Brasil, mas não significa que ele será oferecido imediatamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Antes de uma eventual incorporação à rede pública, o tratamento precisará ser avaliado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que analisa as evidências científicas, o impacto orçamentário e a relação entre custo e benefício da tecnologia. Na saúde suplementar, uma possível cobertura obrigatória também depende da avaliação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Enquanto essas etapas não são concluídas, a decisão da Anvisa autoriza a comercialização do medicamento para a nova indicação aprovada e amplia as alternativas terapêuticas para pacientes que já esgotaram as principais linhas de tratamento disponíveis.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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