Depois de passar mais de dez anos convivendo com crises convulsivas, Pedro Henrique Almeida de Jesus Andrade, de 15 anos, vive uma realidade completamente diferente. Desde janeiro deste ano, quando passou por uma cirurgia para epilepsia no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em Salvador, o adolescente não voltou a apresentar nenhuma convulsão.
A mudança representa um novo capítulo para quem enfrentava a doença desde os dois anos de idade. Ao longo da infância, Pedro utilizou diferentes medicamentos para controlar as crises, mas os resultados eram apenas temporários e os episódios voltavam a acontecer.
Diagnóstico mostrou que a cirurgia era a melhor alternativa
Em julho de 2025, Pedro foi encaminhado ao Centro de Referência em Epilepsia Refratária do HGRS. A equipe médica realizou uma investigação detalhada para identificar a origem das crises.
Entre os exames solicitados estavam uma ressonância magnética de três Tesla e um PET scan do crânio. Os resultados identificaram uma displasia cortical focal, malformação no desenvolvimento do córtex cerebral que pode provocar epilepsia resistente ao tratamento medicamentoso.
Com o diagnóstico confirmado, os especialistas concluíram que Pedro era candidato ao procedimento cirúrgico.
O neurocirurgião Leonardo Avellar realizou a cirurgia para epilepsia em 8 de janeiro de 2026. O procedimento durou cerca de quatro horas. Pouco antes do início da operação, o adolescente ainda sofreu mais de 20 convulsões enquanto permanecia internado.
Após o procedimento, permaneceu 48 horas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), conforme o protocolo hospitalar, e recebeu alta para continuar a recuperação em casa.
Recuperação permitiu reduzir os medicamentos
Os resultados apareceram rapidamente. Desde a cirurgia, Pedro permanece sem novas crises e já iniciou o desmame de um dos medicamentos utilizados no tratamento, além da redução das doses de outros dois remédios.
Para o neurocirurgião Leonardo Avellar, acompanhar uma evolução como essa é uma das maiores recompensas da profissão, especialmente quando o paciente ainda tem toda a vida pela frente.
A mãe do adolescente, Manuella Jamille Almeida de Jesus Andrade, também celebra a transformação vivida pelo filho.
“Pedro nunca mais convulsionou. Pedro está bem, tranquilo, sem convulsões”, afirmou ao A Tarde.
Cirurgia para epilepsia beneficia pacientes com casos específicos
Especialistas ressaltam que a cirurgia para epilepsia não beneficia todos os pacientes. Eles indicam o procedimento para pessoas com epilepsia refratária, quando as crises persistem mesmo com o uso correto dos medicamentos. Nesses casos, exames especializados identificam se a região do cérebro responsável pelas convulsões pode ser operada com segurança.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um terço das pessoas com epilepsia não consegue controlar completamente a doença apenas com medicamentos, o que torna a avaliação em centros especializados fundamental para identificar alternativas terapêuticas quando há indicação clínica.
Para Pedro e sua família, o resultado representa muito mais do que o sucesso de uma cirurgia. Depois de anos marcados pela incerteza causada pelas crises, o adolescente voltou a viver uma rotina tranquila e segue sendo acompanhado pela equipe médica enquanto avança na redução gradual dos medicamentos.