A pesquisa e prevenção do HIV avançaram na mesma semana durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro. Pesquisadores apresentaram dois novos casos de remissão do vírus. No mesmo período, o Ministério da Saúde confirmou a compra da PrEP injetável de longa duração, medicamento que poderá ampliar a prevenção no Sistema Único de Saúde (SUS).
Os dois anúncios tratam de momentos diferentes do enfrentamento ao HIV. Enquanto um amplia o conhecimento sobre como controlar o vírus em pessoas que já vivem com a infecção, o outro pode facilitar a prevenção antes mesmo do contato com o HIV.
O que os novos casos de remissão ensinam aos pesquisadores
O primeiro avanço foi a apresentação de dois novos casos de remissão do HIV. Na prática, isso significa que essas pessoas continuam sem sinais detectáveis do vírus mesmo após interromperem o tratamento com medicamentos antirretrovirais.
Os dois pacientes passaram por transplantes de células-tronco para tratar cânceres hematológicos. Durante o acompanhamento médico, a equipe responsável verificou que o HIV permaneceu indetectável mesmo sem o uso da terapia antirretroviral.
Com esses registros, o mundo passa a contabilizar 13 casos conhecidos de remissão prolongada do HIV. Embora ainda sejam situações extremamente raras, esses casos ajudam os cientistas a entender como algumas pessoas conseguem manter o vírus sob controle sem precisar continuar usando os medicamentos. O conhecimento acumulado pode orientar futuras pesquisas sobre uma possível cura funcional.
Os especialistas reforçam, porém, que isso não significa que já exista uma cura para o HIV. O transplante de células-tronco é um procedimento complexo, indicado apenas para pacientes que também precisam tratar doenças graves do sangue. Por isso, ele não pode ser adotado como tratamento para a maioria das pessoas que vivem com o vírus.
PrEP injetável pode facilitar a prevenção contra o HIV
O segundo avanço envolve a prevenção. O Ministério da Saúde confirmou a compra da PrEP injetável de longa duração, medicamento indicado para pessoas que não têm HIV, mas apresentam maior risco de exposição ao vírus.
Hoje, a prevenção pode ser feita por meio de comprimidos. A nova versão exige apenas duas aplicações por ano. A expectativa é facilitar a adesão de pessoas que têm dificuldade para manter o uso frequente da medicação preventiva.
Antes de chegar à rede pública, o medicamento ainda precisa passar pela avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), responsável por analisar a inclusão de novas tecnologias no SUS.
O que muda quando pesquisa e prevenção avançam ao mesmo tempo
As duas novidades mostram que o enfrentamento ao HIV continua evoluindo em frentes complementares. As pesquisas sobre remissão buscam responder como controlar o vírus em pessoas que já vivem com a infecção sem a necessidade de tratamento contínuo. Já a PrEP injetável amplia as possibilidades de prevenção para quem ainda não foi infectado.
Os dois avanços não significam que o HIV deixou de ser um desafio para a saúde pública. Mas mostram que, ao mesmo tempo em que a ciência busca formas mais eficazes de controlar o vírus, novas tecnologias também podem ampliar o acesso à prevenção e reduzir futuras infecções. São caminhos diferentes, mas que apontam para o mesmo objetivo: diminuir o impacto do HIV na vida das pessoas.