Pela primeira vez, Brasil destina R$ 60 milhões para acelerar diagnósticos e tratamentos da endometriose

maior iniciativa já voltada à pesquisa em endometriose no país vai financiar diagnósticos, tratamentos e tecnologias para o SUS. Entenda o que muda para milhões de mulheres.
Com o investimento, aproximadamente 8 milhões de mulheres brasileiras serão beneficiadas. Os R4 60 milhões serão destinados à pesquisas sobre endometriose.
O Brasil vai investir R$ 60 milhões em pesquisas sobre endometriose e dor pélvica. A ideia é criar soluções para o SUS e beneficiar cerca de 8 milhões de mulheres. (Foto: Yuri Arcus/Canva)

O Brasil anunciou o maior investimento já destinado à pesquisa em endometriose, dor pélvica e saúde menstrual. O aporte de R$ 60 milhões financiará estudos científicos, desenvolvimento tecnológico e uma rede nacional de pesquisadores voltada à criação de trratamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Do total, R$ 50 milhões serão destinados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Outros R$ 10 milhões serão aplicados pelo Instituto Alana na estruturação de uma rede permanente de pesquisa.

A iniciativa direciona recursos para uma condição que afeta cerca de 8 milhões de brasileiras em idade reprodutiva. Entre elas, aproximadamente 2 milhões são adolescentes que convivem com sintomas capazes de comprometer atividades escolares, rotina diária e qualidade de vida.

Pesquisa em endometriose entra em nova fase no Brasil

A chamada pública do CNPq apoiará projetos em cinco áreas: causa e prevenção, diagnóstico, tratamento, biorrepositório e impacto social. O objetivo é ampliar o conhecimento científico disponível e acelerar a chegada de novas soluções à rede pública de saúde.

Além dos estudos individuais, os projetos selecionados passarão a integrar uma estrutura nacional compartilhada. A rede contará com ações de comunicação científica, formação de pesquisadores, evducação e iniciativas de ciência cidadã.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, classificou o anúncio também como o maior investimento já realizado pela pasta em pesquisas relacionadas à saúde da mulher.

Tratamento da endometriose no SUS ainda enfrenta barreiras

Embora seja uma das doenças ginecológicas mais frequentes, a endometriose continua entre as condições com maiores índices de subdiagnóstico. Estimativas apresentadas durante o lançamento indicam atraso médio de sete anos entre o surgimento dos sintomas e a confirmação da doença.

Parte dos recursos vai para a produção de saídas capazes de aperfeiçoar métodos diagnósticos e estratégias terapêuticas. Essa ação reduz a demora que prolonga dores crônicas e dificulta o acesso precoce ao cuidado especializado.

Segundo o Ministério da Saúde, o SUS passou a contar recentemente com seu primeiro protocolo clínico específico para a condição, acompanhado por mecanismos de financiamento voltados ao cuidado integrado das pacientes.

Pesquisa sobre saúde menstrual busca reduzir impactos

Dados divulgados durante o anúncio mostram que seis em cada dez estudantes que menstruam relatam cólicas moderadas ou intensas que interferem na rotina escolar e frequentemente exigem uso de medicamentos.

Outro levantamento citado na apresentação identificou que quatro em cada dez alunas faltam às aulas mensalmente devido às dores menstruais. Os números colocam a saúde menstrual também como tema ligado à permanência escolar.

Os efeitos alcançam ainda o mercado de trabalho. Estudos apresentados apontam que mulheres afetadas por sintomas associados à doença podem perder até 10,8 horas semanais de produtividade. Ao direcionar recursos inéditos para o setor, o país busca ampliar o conhecimento científico sobre uma condição que permanece presente na vida de milhões de brasileiras.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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