O Brasil anunciou o maior investimento já destinado à pesquisa em endometriose, dor pélvica e saúde menstrual. O aporte de R$ 60 milhões financiará estudos científicos, desenvolvimento tecnológico e uma rede nacional de pesquisadores voltada à criação de trratamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Do total, R$ 50 milhões serão destinados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Outros R$ 10 milhões serão aplicados pelo Instituto Alana na estruturação de uma rede permanente de pesquisa.
A iniciativa direciona recursos para uma condição que afeta cerca de 8 milhões de brasileiras em idade reprodutiva. Entre elas, aproximadamente 2 milhões são adolescentes que convivem com sintomas capazes de comprometer atividades escolares, rotina diária e qualidade de vida.
Pesquisa em endometriose entra em nova fase no Brasil
A chamada pública do CNPq apoiará projetos em cinco áreas: causa e prevenção, diagnóstico, tratamento, biorrepositório e impacto social. O objetivo é ampliar o conhecimento científico disponível e acelerar a chegada de novas soluções à rede pública de saúde.
Além dos estudos individuais, os projetos selecionados passarão a integrar uma estrutura nacional compartilhada. A rede contará com ações de comunicação científica, formação de pesquisadores, evducação e iniciativas de ciência cidadã.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, classificou o anúncio também como o maior investimento já realizado pela pasta em pesquisas relacionadas à saúde da mulher.
Tratamento da endometriose no SUS ainda enfrenta barreiras
Embora seja uma das doenças ginecológicas mais frequentes, a endometriose continua entre as condições com maiores índices de subdiagnóstico. Estimativas apresentadas durante o lançamento indicam atraso médio de sete anos entre o surgimento dos sintomas e a confirmação da doença.
Parte dos recursos vai para a produção de saídas capazes de aperfeiçoar métodos diagnósticos e estratégias terapêuticas. Essa ação reduz a demora que prolonga dores crônicas e dificulta o acesso precoce ao cuidado especializado.
Segundo o Ministério da Saúde, o SUS passou a contar recentemente com seu primeiro protocolo clínico específico para a condição, acompanhado por mecanismos de financiamento voltados ao cuidado integrado das pacientes.
Pesquisa sobre saúde menstrual busca reduzir impactos
Dados divulgados durante o anúncio mostram que seis em cada dez estudantes que menstruam relatam cólicas moderadas ou intensas que interferem na rotina escolar e frequentemente exigem uso de medicamentos.
Outro levantamento citado na apresentação identificou que quatro em cada dez alunas faltam às aulas mensalmente devido às dores menstruais. Os números colocam a saúde menstrual também como tema ligado à permanência escolar.
Os efeitos alcançam ainda o mercado de trabalho. Estudos apresentados apontam que mulheres afetadas por sintomas associados à doença podem perder até 10,8 horas semanais de produtividade. Ao direcionar recursos inéditos para o setor, o país busca ampliar o conhecimento científico sobre uma condição que permanece presente na vida de milhões de brasileiras.
