O diagnóstico do neto levou o aposentado Ramiro Mendes, de 58 anos, a descobrir o autismo na terceira idade. Divulgada na quinta-feira (25/06), a história da família de Rio Branco (AC) revela como a confirmação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 permitiu direcionar o acompanhamento especializado e explicou dificuldades que o acompanhavam desde a infância.
A investigação começou quando a neuropsicóloga Helenara Chaves identificou características compatíveis com o transtorno no filho, Rurik Heitor Chaves, de 6 anos. Enquanto o menino iniciou intervenções ainda na infância, Ramiro também aceitou passar por uma avaliação específica e recebeu o diagnóstico em 2023, aos 55 anos.
Até então, o aposentado convivia com dificuldades de interação social, desconforto em ambientes movimentados e desafios para manter contato visual sem compreender a origem desses comportamentos. A partir da confirmação, o acompanhamento passou a considerar essas características e orientar cuidados mais adequados às suas necessidades.
Além disso, a experiência revela como o acesso à informação sobre o TEA mudou entre duas gerações da mesma família. O neto recebeu avaliação precoce e iniciou terapias ainda criança, enquanto o avô passou grande parte da vida sem respostas para características hoje reconhecidas como parte do transtorno.
Autismo na terceira idade esclareceu dificuldades vividas desde a infância
Antes da confirmação, Ramiro fazia acompanhamento psiquiátrico por causa de um quadro de depressão relacionado ao desgaste provocado pelas relações sociais. Durante as consultas, profissionais identificaram características semelhantes às observadas em Rurik e recomendaram uma investigação específica para o TEA.
Com o diagnóstico tardio de autismo, episódios presentes desde a infância passaram a fazer sentido, como o início tardio da fala, a preferência por permanecer sozinho e a dificuldade para manter contato visual.
Professor durante mais de 30 anos, Ramiro relembra situações em que esses comportamentos eram interpretados como falta de interesse ou desrespeito, quando ainda desconhecia sua condição.
Acompanhamento especializado orientou novos cuidados
Depois do diagnóstico tardio de autismo, Ramiro afirma que reorganizou a forma de cuidar da própria saúde e da rotina familiar. Desde então, o acompanhamento especializado passou a orientar estratégias para compreender melhor suas características e facilitar a convivência no dia a dia.
Além da adaptação dos cuidados, o diagnóstico também mudou a relação com a esposa, os filhos e os netos. Segundo o aposentado, ele passou a ouvir mais a família e a buscar novas formas de comunicação, reduzindo conflitos que surgiam dentro de casa.
Ao recordar esse processo, Ramiro atribui ao neto um papel decisivo na própria descoberta. Para ele, acompanhar o desenvolvimento de Rurik permitiu reconhecer características que também faziam parte de sua vida.
Diagnóstico precoce transformou a experiência da nova geração
Atualmente, Rurik faz acompanhamento psicológico voltado para a regulação emocional e terapia ocupacional com integração sensorial. Além disso, frequenta a escola, pratica futebol, jiu-jítsu e participa de atividades voltadas ao desenvolvimento das habilidades sociais e emocionais.
Para Helenara Chaves, a principal diferença entre as duas gerações está no acesso à avaliação especializada. Enquanto Ramiro passou décadas sem compreender as próprias características, Rurik recebeu acompanhamento desde os primeiros sinais, permitindo que as intervenções começassem ainda na infância e fossem direcionadas às suas necessidades.
