Um estudante de Engenharia Biomédica desenvolve um biomaterial para feridas crônicas após transformar a convivência com o avô diabético em um projeto de pesquisa científica. Yunes Natal Menezes Coelho, de 21 anos, cursa Engenharia Biomédica no Ensino Einstein e utiliza impressão 3D para investigar novas possibilidades de regeneração da pele em pessoas com diabetes.
Natural de Governador Valadares (MG), Yunes levou a proposta para uma iniciação científica orientada por Roger Borges, pesquisador do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, em São Paulo. O projeto recebeu uma bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e concluiu a etapa de desenvolvimento da tecnologia, que agora avança para testes laboratoriais.
Feridas crônicas permanecem abertas por longos períodos e estão entre as complicações mais frequentes do diabetes. Para investigar formas de estimular a regeneração dos tecidos, a pesquisa reúne bioengenharia, impressão 3D e estruturas desenvolvidas para atuar diretamente sobre a lesão.
A próxima fase verificará como o material se comporta em contato com células da pele. Os ensaios mostrarão se a tecnologia apresenta características compatíveis com a regeneração dos tecidos e poderá avançar para as próximas etapas da pesquisa.
Da iniciação científica ao desenvolvimento do biomaterial
O estudante desenvolveu o biomaterial para feridas durante a iniciação científica orientada por Roger Borges, pesquisador do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.
O projeto recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que financiou a etapa de desenvolvimento de uma tecnologia.
Com o biomaterial já produzido e caracterizado, a equipe concluiu a validação das propriedades da estrutura e preparou o início dos experimentos com células da pele.
Impressão 3D estrutura a tecnologia
O estudo utiliza scaffolds, estruturas produzidas por impressão 3D que funcionam como suporte para o crescimento celular e a regeneração dos tecidos. Em seguida, esses suportes recebem materiais capazes de gerar pequenos sinais elétricos quando submetidos a estímulos mecânicos.
Além disso, os pesquisadores incorporam óleo de semente de uva à estrutura devido às propriedades já estudadas em processos de cicatrização.
Posteriormente, o material poderá ser estimulado por ultrassom para produzir sinais elétricos localizados e ativar respostas celulares relacionadas à regeneração da pele.
Testes laboratoriais definirão os próximos avanços
Com o desenvolvimento dos biomateriais concluído, a equipe iniciará ensaios in vitro para analisar a interação da estrutura com células da pele em condições controladas de laboratório.
Os experimentos vão avaliar características como compatibilidade celular e potencial para estimular processos ligados à regeneração dos tecidos. Somente após essa sequência de avaliações será possível verificar se a tecnologia reúne condições para avançar para novas etapas do desenvolvimento.
