As classes D e E encolhem e, pela primeira vez desde 2012, representam menos de um em cada cinco brasileiros. Levantamento da consultoria 4Intelligence mostra que essa parcela caiu para 19,4% da população em 2025. Nesta quinta-feira (25/06), os dados indicam que cerca de 41 milhões de pessoas vivem em domicílios com renda de até R$ 760 por pessoa.
Com essa redução, a maior parte das famílias que deixou essas faixas passou a integrar a classe C, que atualmente reúne 56% dos brasileiros. Segundo o estudo, a recuperação do mercado de trabalho e os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, impulsionaram essa migração.
Como resultado, a distribuição das classes sociais ficou menos concentrada na base da pirâmide de renda do Brasil. A participação das camadas intermediárias cresceu e passou a reunir a maioria da população brasileira.
Os pesquisadores, porém, avaliam que essa melhora ainda não está consolidada. Grande parte dessas famílias continua dependente da manutenção do emprego, da inflação controlada e de juros mais baixos para permanecer fora das faixas de menor renda.
Classes D e E encolhem após avanço do emprego e da renda
Em 2012, as classes D e E representavam 31,6% da população brasileira. Durante a pandemia de covid-19, esse percentual chegou a 34% em 2021. Desde então, iniciou uma trajetória de queda até atingir os atuais 19,4%.
Segundo o economista Bruno Imaizumi, responsável pelo levantamento da 4Intelligence, o mercado de trabalho absorveu grande parte dos trabalhadores de menor escolaridade, permitindo que milhões de brasileiros aumentassem a renda, saissem da faixa da pobreza no Brasil e migrassem para faixas superiores.
Além do emprego, os programas de transferência de renda também contribuíram para esse resultado. Benefícios como o Bolsa Família elevaram a renda disponível entre famílias de baixa renda e facilitaram a transição para as classes intermediárias.
Como ficou a distribuição da renda no Brasil
Além do crescimento da classe C, a participação da classe A também aumentou entre 2012 e 2025. O grupo passou de 2,7% para 3,8% da população, reunindo pessoas com renda domiciliar superior a R$ 7.989 por integrante da família.
Enquanto isso, a renda média domiciliar por pessoa chegou a R$ 1.921 na C1 e a R$ 1.104 na C2. Juntas, essas duas faixas passaram a concentrar 56% dos brasileiros, consolidando a classe C como o maior grupo de renda do país.
Apesar dessa redistribuição, a distância entre os extremos permanece elevada. A renda média por pessoa nas classes D e E ficou em R$ 453, enquanto a da classe A alcançou R$ 14.214, cerca de 31 vezes maior.
Saída das classes D e E ainda depende da economia
Embora o levantamento mostre avanço na mobilidade social, as classes D e E encolhem principalmente em um período marcado pela recuperação do mercado de trabalho e pela ampliação da renda das famílias. Os pesquisadores avaliam, porém, que esse movimento ainda precisa se sustentar ao longo dos próximos anos.
Segundo o pesquisador Flávio Ataliba, boa parte dessa ascensão ocorreu entre pessoas que deixaram a pobreza para ingressar na baixa renda ou na classe C. A permanência nesse novo patamar continuará relacionada ao emprego, ao controle da inflação e ao comportamento dos juros.
Os dados mostram que o Brasil reduziu a participação das classes D e E ao menor nível desde 2012, mas a desigualdade de renda continua elevada. A combinação entre geração de empregos, estabilidade econômica e políticas de transferência de renda será decisiva para transformar essa mobilidade em uma mudança duradoura.
