O Governo Federal prepara uma linha de até R$ 20 bilhões em crédito para clubes e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) reorganizarem dívidas. A proposta ganhou força depois da Medida Provisória que determinou o encerramento das bets no Brasil, mas o programa ainda está em negociação e não foi formalizado.
A ideia não é perdoar os débitos. O desenho discutido permitiria trocar obrigações mais caras e de prazo curto por financiamentos mais longos, com pagamento em até 20 anos e carência de dois anos antes do início das parcelas.
Entre os compromissos que poderiam entrar no programa estão dívidas trabalhistas, direitos de imagem, débitos com Receita Federal, Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de empréstimos bancários e obrigações cíveis.
A discussão ocorre poucos dias depois de o governo publicar a MP 1.394/2026, que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. A norma prevê o encerramento das autorizações em 30 dias e determina que os sites deixem de oferecer apostas em dez dias.
Crédito para clubes não poderá bancar contratações
Apesar do valor bilionário, o dinheiro teria destino limitado. Pelo modelo em discussão, os clubes não poderiam usar os recursos para pagar salários correntes, contratar jogadores, cobrir despesas rotineiras ou distribuir dividendos a proprietários de SAFs.
O financiamento serviria principalmente para reorganizar passivos e também poderia permitir investimentos em infraestrutura das categorias de base. O uso irregular ou o atraso nas parcelas poderia levar ao vencimento antecipado da dívida e à exclusão do programa.
Um ponto ainda precisa ser resolvido: quem operaria a linha. A Exame informou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) afirmou não ter participado das discussões e disse que seu estatuto atualmente impede financiamento direto a clubes.
Clubes discutem proposta no Planalto
Clubes e federações foram convidados para uma reunião no Palácio do Planalto nesta terça-feira (29/09). A expectativa é que representantes do governo e do futebol discutam, entre outros temas, a criação da linha de crédito.
A negociação começou antes mesmo da proibição das bets, mas ganhou peso depois da publicação da medida provisória. As casas de apostas se tornaram importantes patrocinadoras do futebol brasileiro nos últimos anos, o que levou clubes a buscar alternativas para reorganizar suas finanças.
Por enquanto, portanto, os R$ 20 bilhões representam o teto de uma proposta, e não recursos já disponíveis. A próxima definição sobre o crédito para clubes dependerá do desenho acertado com o governo e da forma jurídica escolhida para colocar o programa em funcionamento.