Um teste para tumor cerebral que consegue identificar o tipo da doença em menos de duas horas começou a chegar a mais hospitais públicos da Inglaterra. O NHS, sistema público de saúde inglês, iniciou um piloto para levar a tecnologia a cinco centros especializados nesta primeira fase.
O exame analisa o DNA de uma pequena amostra retirada durante uma biópsia ou cirurgia. Em alguns casos, a tecnologia fornece uma classificação inicial do tumor em menos de duas horas, enquanto uma análise molecular mais completa pode ficar pronta nos dias seguintes.
A rapidez permite que a informação chegue à equipe médica até mesmo antes do fim da operação. Em uma cirurgia realizada no Nottingham University Hospitals, o sequenciamento levou cerca de 20 minutos e o resultado foi entregue em menos de duas horas, enquanto o paciente ainda estava sendo operado.
Com essa informação, os médicos podem entender melhor o tipo de tumor e, em determinadas situações, avaliar quanto tecido retirar com segurança, preservando áreas saudáveis do cérebro. A análise molecular também pode ajudar na definição de tratamentos e na identificação de pacientes que possam participar de estudos clínicos.
Teste para tumor cerebral analisa DNA ainda durante a cirurgia
A tecnologia foi desenvolvida por cientistas e médicos da Universidade de Nottingham e do Nottingham University Hospitals NHS Trust. O método combina sequenciamento genético com um software especializado para analisar rapidamente as características do tumor.
Apesar da expansão anunciada agora, o exame não acaba de ser criado. A pesquisa que descreveu a abordagem foi publicada em 2025, e a tecnologia já vinha sendo testada em Nottingham e Birmingham. A novidade é a expansão do piloto pelo NHS, que permitirá avaliar seu funcionamento em uma rede maior de hospitais.
A primeira etapa envolve centros especializados em Birmingham, Nottingham, Londres e Newcastle. A proposta é padronizar o processo entre equipes de neurocirurgia, patologia e serviços de medicina genômica antes de uma possível adoção mais ampla.
Mais de 12 mil pessoas recebem diagnóstico por ano no Reino Unido
A velocidade do diagnóstico ganha importância diante da complexidade dos tumores cerebrais. Existem mais de 100 tipos, entre formações benignas e malignas, e identificar exatamente qual deles está presente é uma etapa importante para definir a estratégia de tratamento.
Dados do Cancer Research UK indicam cerca de 12,5 mil novos casos por ano de tumores do cérebro, de outras partes do sistema nervoso central e intracranianos no Reino Unido. Aproximadamente 5,6 mil mortes anuais estão associadas a esse conjunto de tumores, segundo os dados mais recentes da instituição.
Não existe um único tratamento que funcione para todos os casos. Dependendo do tipo, da localização e das características do tumor, médicos podem recorrer a cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapias direcionadas. As chances de resposta e o prognóstico também variam de acordo com cada diagnóstico.
Piloto pode levar teste a mais hospitais
O NHS England vai investir mais de £ 2 milhões ao longo de dois anos na rede responsável pelo projeto.Nesta primeira fase, o NHS levará o exame a cinco centros especializados, com unidades em Birmingham, Nottingham, Londres e Newcastle.
Uma segunda etapa já prevê a entrada de centros em Bristol, Oxford, Leeds e Manchester. O objetivo é verificar se a tecnologia funciona de maneira segura e consistente em maior escala dentro do sistema público inglês.
A expectativa é que os resultados dessa etapa forneçam evidências para avaliar uma futura incorporação do teste para tumor cerebral à rotina do NHS. Por enquanto, a tecnologia segue em expansão dentro do piloto, sem oferta geral na Inglaterra e sem previsão anunciada de disponibilidade no Brasil.