Mãe envia US$ 10 mil por semana para ajudar crianças migrantes nos EUA

Casey Revkin começou ajudando uma família com US$ 50. Hoje, reúne cerca de US$ 10 mil por semana para apoiar famílias migrantes detidas no Texas.
Casey Revkin, responsável por iniciativa de ajuda a crianças migrantes nos Estados Unidos.
Casey Revkin começou ajudando uma família com US$ 50 e hoje reúne doações que chegam a cerca de US$ 10 mil por semana para apoiar famílias migrantes. (Foto: arquivo pessoal)

Casey Revkin se define de um jeito simples: “uma mãe da Califórnia”. Foi desse lugar comum, de quem pensa primeiro em como proteger os filhos, que nasceu sua ajuda a crianças migrantes. Ela começou com US$ 50 enviados à família de um bebê de dois meses e hoje movimenta cerca de US$ 10 mil por semana para famílias detidas em um centro de imigração no Texas.

Apoio

O dinheiro é depositado diretamente nas contas que os imigrantes podem usar dentro do Centro de Processamento de Imigração de Dilley. Com os recursos, pais e mães conseguem comprar água, alimentos, produtos de higiene, cadernos e outros itens durante o período em que permanecem no local.

Segundo Casey, os depósitos já chegam a cerca de 80% das pessoas detidas em Dilley. Os recursos vêm de doações arrecadadas pela Each Step Home, organização criada por ela depois que começou a atuar voluntariamente em apoio a imigrantes nos Estados Unidos.

Um dos beneficiados foi o nicaraguense Luis Sánchez, que permaneceu no centro com os quatro filhos. Após receber US$ 200, ele conseguiu comprar água, alimentos frescos, pipoca, doces e outros produtos que deram algum conforto à rotina dos pequenos durante a detenção.

Ajuda a crianças migrantes começou com uma ação simples

O envolvimento de Casey com o tema começou em 2018, quando soube que centenas de menores estavam sendo separados dos pais ao tentar cruzar a fronteira dos Estados Unidos. Em vez de apenas acompanhar os casos, ela procurou uma maneira prática de colaborar.

Casey passou a preencher e imprimir documentos, organizar pastas e procurar voluntários para entregar papéis necessários aos processos de reunificação. Eram tarefas que ela conseguia realizar de casa, mas que representavam obstáculos importantes para quem tentava reencontrar os filhos.

Anos depois, ao voltar a acompanhar a situação de pessoas mantidas em Dilley, ela descobriu que era possível colocar dinheiro diretamente nas contas utilizadas pelos detidos. O primeiro depósito foi de US$ 50, destinado à família de um bebê de dois meses com uma infecção respiratória.

A iniciativa cresceu à medida que novos casos chegavam até ela por meio de advogados, ativistas e pessoas que atuam com imigração. Uma campanha realizada no Dia das Mães também ajudou a sustentar os depósitos, que passaram a atender boa parte de quem permanece no centro.

Casey Revkin iniciou seu trabalho durante o primeiro mandato de Donald Trump
Casey Revkin iniciou seu trabalho durante o primeiro mandato de Donald Trump (Foto: arquivo pessoal)

Dinheiro vira comida e itens básicos dentro do centro

Para Luis Sánchez, o auxílio chegou depois de mais de três semanas em Dilley. Uma advogada explicou que ele poderia escrever para Casey e pedir apoio. Do computador da biblioteca, o pai de quatro filhos enviou uma mensagem contando do que precisava.

Poucos dias depois, havia US$ 200 em sua conta. A primeira compra incluiu água e alimentos, além de algumas guloseimas escolhidas pelos filhos. Sánchez contou à BBC que o gesto trouxe alívio em um período difícil para a família.

As condições oferecidas em Dilley são alvo de versões divergentes. Organizações de defesa dos migrantes relatam problemas relacionados à permanência das famílias no local. Já a CoreCivic, empresa responsável pela administração do centro, e o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos afirmam que os detidos recebem refeições, água potável e itens de higiene e que a unidade segue os padrões federais.

Apoio continua depois da saída

A atuação de Casey também pode continuar quando os beneficiados deixam Dilley. Sánchez e os quatro filhos saíram do centro em 1º de julho, depois de quase três meses, mas ainda precisavam reconstruir a rotina que tinham antes da detenção.

Ele guardou parte do valor recebido e o utilizou para comprar as passagens de volta à cidade onde morava. Nos primeiros dias fora do centro, também recebeu apoio com alimentação. Quando os filhos começaram as aulas, vieram os materiais escolares.

É essa continuidade que mantém a iniciativa distante de uma doação isolada. A ajuda a crianças migrantes que começou com um depósito de US$ 50 hoje reúne doadores e chega a milhares de dólares por semana, mas preserva a ideia que levou Casey a agir pela primeira vez: resolver necessidades concretas de quem precisa cuidar dos filhos em um momento difícil.

A BBC informou que os nomes de imigrantes citados nessa matéria foram alterados para nomes fictícios para proteger a identidade de todos eles.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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