Startup brasileira cria armadilha sem veneno para escorpião ajuda a identificar infestações

A armadilha para escorpião criada por uma startup brasileira monitora focos de infestação antes do controle. Entenda como a tecnologia funciona.
Armadilha para escorpião Scorpfem, da Ecobiotech, desenvolvida para monitorar e capturar escorpiões sem uso de veneno.
A Scorpfem é uma armadilha para escorpião desenvolvida pela Ecobiotech para monitorar focos de infestação sem utilizar veneno. (Foto: SUPERA/Divulgação)

A startup Ecobiotech lançou, na quinta-feira (25/06), a armadilha para escorpião Scorpfem, desenvolvida para capturar e monitorar o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) sem utilizar veneno. A tecnologia busca revelar se o animal encontrado faz parte de uma infestação, permitindo ações de controle mais direcionadas.

Residências, condomínios, empresas e profissionais de controle de pragas estão entre os públicos que podem utilizar o equipamento. A fabricante informa que o produto foi projetado para ambientes onde já houve registros da espécie de maior relevância sanitária do país.

O lançamento ocorre enquanto os acidentes continuam em alta. Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou mais de 225 mil picadas de escorpião em 2025, responsáveis por mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos notificados no período.

Nesse cenário, o monitoramento passa a integrar o manejo da infestação. Em vez de limitar a resposta ao aparecimento de um único animal, a proposta é gerar informações sobre a presença de outros exemplares antes da definição das medidas de controle.

Armadilha para escorpião transforma o monitoramento em ferramenta de controle

O principal diferencial está no bioindutor atrativo alimentar, desenvolvido para estimular a saída do escorpião-amarelo de seu abrigo em busca de alimento. Quando alcança a armadilha, o animal permanece retido na superfície adesiva.

Segundo a Ecobiotech, testes de campo indicaram funcionamento com a armadilha instalada em um raio de até cinco metros dos focos de infestação em áreas externas. Em locais internos, fatores como odores, circulação de pessoas e vibrações podem reduzir esse alcance.

Além da captura, o sistema permite contabilizar os indivíduos encontrados. Essas informações auxiliam moradores, síndicos e empresas especializadas a identificar a dimensão da infestação antes da adoção de outras estratégias.

Escorpião-amarelo impulsiona novas soluções para prevenção urbana

De acordo com a diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da Ecobiotech, Thaís Maester, o crescimento urbano favorece a expansão do escorpião-amarelo por causa da presença de entulhos, lixo acumulado e baratas, principal alimento da espécie.

Os kits de armadilha para escorpião incluem abrigo, sachês do atrativo alimentar e refis de cola adesiva, permitindo substituições periódicas durante o monitoramento. A instalação pode ser feita em jardins, garagens, caixas de esgoto, depósitos e outros locais onde o animal costuma circular.

A fabricante informa que a tecnologia integra o manejo de pragas, sem substituir outras medidas de controle. O objetivo é fornecer um diagnóstico inicial da infestação para orientar intervenções mais específicas e reduzir aplicações desnecessárias de produtos químicos.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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