Um curativo biônico eliminou 97,1% das bactérias Staphylococcus aureus e mais que dobrou a velocidade da cicatrização de feridas em testes com animais. Desenvolvido por pesquisadores da China e de Hong Kong, o material reúne, pela primeira vez, resfriamento passivo, ação antibacteriana e uma estrutura com características semelhantes às da pele humana. O estudo foi publicado na revista científica Nano-Micro Letters.
Nos experimentos, as feridas apresentaram fechamento quase completo em 11 dias, mais que o dobro da velocidade observada com curativos convencionais. Os resultados indicam que a combinação de resfriamento e proteção antibacteriana favoreceu a recuperação dos tecidos.
Além de proteger a área lesionada, o material reduz a temperatura da superfície da pele e absorve o excesso de umidade. Essas funções ajudam a limitar a proliferação de microrganismos sem utilizar equipamentos externos para resfriamento.
Apesar dos resultados, a tecnologia ainda está em fase pré-clínica. Os testes envolveram apenas modelos animais, e os pesquisadores ainda precisarão confirmar a segurança e a eficácia do material em estudos com seres humanos.
Como funciona o curativo biônico
A camada externa do material reflete parte da luz solar e dissipa calor por meio da emissão de radiação infravermelha. Com isso, reduz em cerca de 4 °C a temperatura da superfície da ferida sem utilizar eletricidade ou qualquer fonte externa de energia.
Na camada interna, nanopartículas à base de ferro entram em ação quando recebem luz e produzem moléculas capazes de eliminar bactérias. Ao mesmo tempo, o material absorve a umidade e contribui para manter um ambiente mais adequado à regeneração do tecido.
Os pesquisadores também desenvolveram uma rede de nanofibras com resistência e flexibilidade próximas às da pele humana. Assim, o curativo acompanha os movimentos do corpo sem perder eficiência durante o uso.
Por que a cicatrização foi mais rápida
Os cientistas desenvolveram o material para superar limitações dos curativos tradicionais. A gaze pode aderir à pele e causar dor durante a troca, enquanto curativos de espuma costumam ter custo mais elevado e hidrocoloides não são indicados para feridas infectadas.
Nos testes, a redução da temperatura superficial dificultou a multiplicação de bactérias, enquanto a ação antibacteriana diminuiu a contaminação da ferida. A combinação desses mecanismos acelerou a regeneração dos tecidos e o fechamento das lesões.
Segundo os autores, o curativo biônico poderá ser aplicado futuramente em feridas infectadas e em outras lesões que exigem controle térmico. Antes disso, a tecnologia ainda precisará passar por estudos clínicos para confirmar os resultados observados nos testes com animais.
