Uma pesquisa desenvolvida por um estudante de 10 anos durante uma aula de matemática será apresentada na XII Bienal de Matemática da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). O trabalho nasceu depois que Marcel Augusto Calassa Alcântara identificou um ciclo matemático ao resolver um exercício e decidiu investigar se o mesmo padrão aparecia em outros números.
A observação surgiu a partir dos números 13 e 16. Em vez de encerrar a atividade depois de encontrar o resultado, Marcel passou a testar outros cálculos para verificar se o mesmo comportamento aparecia em diferentes sequências. Assim, a investigação evoluiu até se transformar em um artigo científico.
O estudo analisou sequências obtidas pela soma dos algarismos de potências numéricas. Ao final, mostrou que essas sequências sempre convergem para ciclos específicos e organizou os resultados em grupos de acordo com o comportamento observado.
Com isso, uma investigação iniciada na educação básica chegará a um dos principais encontros brasileiros dedicados ao ensino e à pesquisa em matemática. A Bienal reúne pesquisadores, professores, estudantes e divulgadores científicos de diferentes regiões do país.
Como surgiu o ciclo matemático
Tudo começou quando Marcel calculou 13², obtendo 169. Ao somar os algarismos do resultado, chegou ao número 16. Em seguida, verificou que 16² resulta em 256 e que a soma de seus algarismos volta a produzir 13.
Os dois números formavam um ciclo matemático. A partir dessa observação, o estudante passou a repetir a operação com outros valores, comparar resultados e testar hipóteses para descobrir se o mesmo padrão também aparecia em outras sequências.
Depois de analisar os cálculos, identificou que esse tipo de sequência sempre entra em ciclos pertencentes a um conjunto finito. Além disso, organizou esses ciclos em diferentes grupos de acordo com o comportamento observado.
SBM selecionou o estudo para a Bienal de Matemática
Promovida pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), a Bienal reúne pesquisas, experiências de ensino e projetos voltados à divulgação da matemática em escolas e universidades. Neste ano, a seleção incluiu o estudo desenvolvido por Marcel.
Para o estudante, participar do evento representa a oportunidade de apresentar a pesquisa e conhecer pessoas com interesses semelhantes.
Segundo a mãe, Glacy Calassa, o trabalho surgiu porque o filho teve liberdade para investigar uma pergunta que apareceu durante a aula. Para ela, o reconhecimento demonstra que crianças também conseguem produzir conhecimento quando encontram espaço para desenvolver as próprias ideias.
A descoberta abriu novas oportunidades
Antes da aprovação na Bienal, Marcel participou de olimpíadas acadêmicas nacionais e internacionais, eventos de ciência e robótica, conquistou o título de Mestre Nacional de Xadrez, publicou um livro inspirado em um hackathon ligado à NASA e tornou-se membro vitalício da International Junior Honor Society (IJHS).
Além disso, criou o projeto Xadrez na Praça, que mais tarde deu origem ao Clubinho STEAM do Marcel. A iniciativa reúne crianças e famílias em atividades de matemática, leitura, ciência e xadrez, incentivando a troca de conhecimentos e experiências.
Agora, além da apresentação na Bienal, Marcel recebeu convite para participar de um projeto social voltado ao ensino de matemática para crianças, previsto para começar no segundo semestre. A pesquisa iniciada durante uma aula também passará a contribuir com iniciativas de incentivo à matemática entre estudantes.
