O SUS passou a utilizar inteligência artificial no atendimento de pacientes graves com a inauguração, no sábado (27/06), da primeira UTI Inteligente do sistema, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo o Ministério da Saúde, a tecnologia pode reduzir o tempo de tratamento e as filas de espera por leitos de terapia intensiva ao identificar sinais de piora clínica antes do agravamento do quadro.
A inauguração inicia uma rede nacional de hospitais inteligentes. O Ministério da Saúde prevê instalar 14 UTIs Inteligentes em hospitais públicos, com investimento de R$ 180 milhões para criar 280 leitos equipados com tecnologias de monitoramento e análise de dados.
Nas UTIs convencionais, os profissionais analisam separadamente as informações de cada equipamento. Na UTI Inteligente do SUS, a nova estrutura reúne todos esses dados em uma única plataforma. O sistema cruza continuamente as informações clínicas. Em seguida, prioriza os dados mais relevantes para as equipes médicas. Quando identifica sinais de agravamento do quadro clínico, emite alertas para apoiar decisões mais rápidas.
Além das UTIs Inteligentes, a iniciativa integra um programa mais amplo de modernização tecnológica da alta complexidade no SUS.
Como funciona a UTI Inteligente do SUS
A UTI Inteligente do SUS conecta monitores, ventiladores, bombas de infusão e prontuários eletrônicos em uma única plataforma digital. Dessa forma, médicos e outros profissionais acompanham as informações clínicas em tempo real. O sistema também envia alertas quando identifica sinais de piora clínica. Assim, as equipes não precisam consultar separadamente cada equipamento.
Com essas informações, as equipes podem ajustar medicamentos e condutas com maior rapidez, reduzindo o tempo de permanência na terapia intensiva e aumentando a disponibilidade de leitos. Segundo o Ministério da Saúde, esse acompanhamento permite reconhecer alterações clínicas antes que elas evoluam para quadros mais graves.
A unidade também se comunica com ambulâncias equipadas com tecnologia 5G. Durante o transporte, os sinais vitais podem ser enviados em tempo real ao hospital, permitindo que a equipe organize o atendimento antes da chegada do paciente.
Rede de hospitais inteligentes começa a ser implantada
A unidade inaugurada no Rio de Janeiro é a primeira de um conjunto de 14 UTIs Inteligentes previstas para hospitais públicos em todas as regiões do país. Na etapa inicial, cada hospital receberá dez leitos equipados com o novo sistema.
Além do Rio de Janeiro, a expansão alcançará hospitais em São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco, Ceará, Paraná, Rio Grande do Sul, Amazonas, Pará, Mato Grosso do Sul e Piauí. Todos utilizarão o mesmo modelo tecnológico para apoiar o monitoramento de pacientes e as decisões clínicas.
De acordo com o Ministério da Saúde, o uso combinado de inteligência artificial e análise de grandes volumes de dados pode reduzir em até cinco vezes o tempo de espera por atendimentos de emergência. A tecnologia organiza as informações clínicas com mais rapidez e auxilia as equipes na definição das prioridades de atendimento.
O projeto avança para um hospital inteligente
A criação da rede não ficará restrita às UTIs. O Ministério da Saúde também prevê incorporar cirurgia robótica, medicina de precisão e outras tecnologias digitais. O objetivo é ampliar a capacidade de diagnóstico e tratamento nos hospitais públicos.
O projeto também inclui o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI). O hospital funcionará no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). A unidade deverá iniciar as operações em 2027, com 800 leitos e capacidade para atender cerca de 20 mil pacientes por ano.
Além do atendimento, o projeto também prevê um centro de pesquisa translacional, voltado ao desenvolvimento e à aplicação de novas tecnologias na assistência hospitalar.
