O governo federal lançou, nesta terça-feira (30/06), o Plano Safra 2026, destinando R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial durante o próximo ano agrícola. O programa combina aumento dos recursos disponíveis com redução das taxas de juros para ampliar a capacidade de investimento das propriedades rurais.
Do montante anunciado, R$ 384,9 bilhões serão utilizados para custeio da produção, compra de insumos, manutenção de lavouras e comercialização. Outros R$ 140,2 bilhões financiarão investimentos produtivos. Somados aos cerca de R$ 85 bilhões previstos para a agricultura familiar, os financiamentos ao setor ultrapassam R$ 610 bilhões.
O crescimento dos recursos vem acompanhado de crédito mais barato, fator que pode ampliar projetos de modernização nas propriedades. Entre as prioridades estão irrigação, armazenagem, inovação tecnológica, renovação de máquinas e aumento da eficiência produtiva.
A nova edição também incorpora incentivos para práticas sustentáveis e mecanismos de proteção da atividade agropecuária, associando parte das condições de financiamento à gestão ambiental e à redução de riscos.
Plano Safra 2026 reduz juros para estimular novos investimentos
Um dos principais ajustes do programa está na diminuição das taxas máximas de juros em linhas estratégicas. No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o volume previsto chega a R$ 72,6 bilhões, com taxa máxima de 9% ao ano, abaixo dos 10% praticados anteriormente.
O Ministério da Agricultura e Pecuária também informou que a taxa do custeio empresarial caiu de 14% para 12,5%. A medida reduz o custo do financiamento para produtores que pretendem ampliar ou modernizar suas atividades.
Crédito rural incentiva tecnologia e produção sustentável
Os recursos destinados aos investimentos apoiam projetos de armazenagem, irrigação, aquisição de máquinas, equipamentos e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade das propriedades rurais.
O programa também concede descontos nas taxas de custeio para produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado e para aqueles que adotarem práticas agropecuárias sustentáveis e certificações reconhecidas. Cada requisito pode reduzir a taxa de juros em até 0,5 ponto percentual.
Outra medida prevista relaciona a renegociação das operações de custeio à contratação de instrumentos de proteção, como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) ou o seguro rural, fortalecendo a gestão de riscos da produção.
Plano Safra 2026: Recursos movimentam diferentes segmentos da economia
Os R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial superam em R$ 9 bilhões os recursos disponibilizados na safra anterior, equivalente a um crescimento de 1,7%.
Durante o lançamento, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou que o objetivo foi ampliar o volume de recursos e reduzir os juros das operações. O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, classificou o Plano Safra como uma das mais longevas políticas públicas de crédito rural do país.
Representando o setor produtivo, o diretor de Relações Corporativas da Inpasa, Guilherme Nolasco, afirmou que o financiamento fortalece uma cadeia que envolve produção agrícola, indústria, pesquisa, logística, cooperativas e geração de empregos, ampliando a capacidade de investimento ao longo de todo o setor agropecuário.
