Inteligência artificial abre nova porta para jovens talentos do futebol brasileiro

Entenda como a inteligência artificial está mudando a descoberta de jovens talentos no futebol brasileiro e ampliando o acesso às peneiras de clubes.
Inteligência artificial ajuda clubes a avaliar jovens talentos do futebol por meio de vídeos gravados em campo.
Aplicativos de inteligência artificial permitem que atletas sejam avaliados antes das peneiras presenciais, ampliando o alcance da captação de talentos no futebol brasileiro. (Foto: imagem gerada por IA)

A inteligência artificial abriu uma nova porta para jovens talentos do futebol brasileiro ao permitir que atletas sejam avaliados por aplicativos antes de chegar a uma peneira presencial. A tecnologia analisa vídeos, mede habilidades e aproxima clubes de jogadores que vivem longe das principais bases esportivas.

A mudança beneficia meninos e meninas que antes dependiam de viagens longas, indicações ou da presença eventual de olheiros em suas cidades. Pela primeira vez, a etapa inicial de avaliação pode acontecer a distância, reduzindo uma das principais barreiras de acesso ao futebol profissional.

O Brasil exporta mais jogadores do que qualquer outro país, mas a dimensão territorial dificulta que clubes acompanhem presencialmente todas as regiões onde surgem novos talentos. Como consequência, muitos atletas deixam de participar de avaliações simplesmente porque vivem longe dos centros de formação.

Com a tecnologia, a transformação já chegou aos clubes. Plataformas de inteligência artificial passaram a integrar processos de captação no futebol. Os aplicativos levam atletas avaliados digitalmente para peneiras presenciais e ampliando o universo de jogadores observados antes da seleção final.

Um celular pode aproximar jovens dos grandes clubes

Os aplicativos Cuju e Footbao são dois exemplos de plataforma que estão fazendo a diferença para esses jovens atletas. Os dois utilizam inteligência artificial para analisar fundamentos do futebol a partir de vídeos enviados pelos próprios jogadores. Os participantes gravam exercícios de velocidade, domínio de bola, controle e finalização. Depois, o sistema atribui notas e organiza os perfis para consulta de clubes e agentes.

Depois da avaliação automática, parte das plataformas submete os vídeos a uma análise humana antes de encaminhar relatórios aos clubes. Esse processo combina a rapidez da inteligência artificial com a experiência de profissionais responsáveis pela observação de atletas.

Esse modelo já começou a ser adotado por clubes brasileiros. O Santos Futebol Clube (Santos FC) utiliza uma dessas plataformas na captação de atletas. Em Aguaí, no interior paulista, jovens entre 14 e 19 anos chegaram a uma peneira depois de serem selecionados digitalmente.

A inteligência artificial muda a seleção os clubes de futebol?

A inteligência artificial permite que equipes analisem milhares de atletas antes mesmo de decidir quais merecem uma observação presencial. Em vez de depender apenas de campeonatos, indicações ou viagens, os clubes passam a contar com uma triagem inicial baseada em vídeos enviados pelos próprios jogadores.

Esse processo reduz tempo e custos na etapa de captação. Os aplicativos organizam informações técnicas, identificam atletas com características compatíveis ao perfil procurado e ajudam as equipes a direcionar as viagens e avaliações para jogadores previamente selecionados.

Na prática, a tecnologia amplia o universo de atletas analisados sem alterar a etapa decisiva da seleção. Os clubes conseguem observar jogadores de diferentes regiões com mais rapidez, enquanto treinadores e olheiros continuam responsáveis pela avaliação presencial dos candidatos.

O olhar humano continua fazendo a escolha final

A inteligência artificial acelera a triagem de atletas, mas a decisão continua nas mãos dos profissionais responsáveis pela observação presencial. Os jogadores selecionados pelos aplicativos ainda disputam partidas e passam por avaliações conduzidas por treinadores.

Essa combinação já faz parte da rotina do Santos. O coordenador de captação Carlos Antônio Anunciação afirmou que a tecnologia amplia o alcance da observação. Ainda assim, preparava uma viagem de mais de mil quilômetros para acompanhar pessoalmente um atleta indicado por um olheiro.

Cada etapa desempenha uma função diferente. Enquanto a inteligência artificial organiza milhares de vídeos e reduz o tempo necessário para localizar talentos, treinadores e observadores analisam aspectos que dependem da presença em campo, como comportamento, tomada de decisão e adaptação ao jogo.

A peneira realizada em Aguaí ilustra esse modelo híbrido. Davi Barossi e Nathan Moraes, do Pará, ficaram entre os oito atletas aprovados para integrar o elenco do clube local depois de passarem pelas etapas digital e presencial.

Mais do que substituir os olheiros, essas ferramentas ampliam as oportunidades de acesso ao futebol profissional. Para jovens que vivem longe dos grandes centros, a primeira chance de chamar a atenção de um clube pode começar antes mesmo da viagem para uma peneira, por meio de um vídeo gravado no próprio celular.vídeo gravado no próprio celular.

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