Piauí incorpora drones e inteligência artificial às investigações de maus-tratos contra animais

O Piauí passou a usar drones e inteligência artificial em investigações e denúncias de maus-tratos contra animais. A tecnologia ajuda a identificar sinais de negligência e fortalece a produção de provas.
O novo protocolo da Polícia Civil fortalece a produção de provas digitais e amplia a capacidade de investigação de denúncias de maus-tratos contra animais.
Drones equipados com câmeras de alta resolução e sensores térmicos passam a integrar as investigações de maus-tratos contra animais no litoral do Piauí. (Foto: Canva)

Drones e inteligência artificial passaram a integrar a investigação de maus-tratos contra animais no litoral do Piauí. O protocolo entrou em funcionamento na última terça-feira (17/06) nos municípios de Parnaíba, Luís Correia, Ilha Grande e Cajueiro da Praia, permitindo verificar denúncias em áreas de difícil acesso e reunir provas digitais para as investigações.

O novo procedimento combina drones equipados com câmeras de alta resolução, sensores térmicos e um software que analisa as imagens para identificar sinais de desnutrição, desidratação, doenças e condições inadequadas de higiene. Com isso, as equipes conseguem reunir informações antes da vistoria presencial.

As imagens registradas passam a integrar a cadeia de custódia digital, preservando provas que poderão embasar as investigações e subsidiar prisões em flagrante quando os maus-tratos forem constatados. A documentação produzida durante as operações ganha, assim, maior confiabilidade para utilização nos procedimentos policiais.

A iniciativa foi implantada pelo Núcleo de Apuração de Crimes Ambientais (Naca), unidade da Polícia Civil voltada aos crimes ambientais. Além da investigação, a nova metodologia estabelece procedimentos para situações emergenciais e incorpora medidas de proteção social durante as ocorrências.

Como a tecnologia auxilia as investigações

Sempre que uma denúncia de maus-tratos a animais é registrada, as equipes podem realizar um levantamento inicial com drones antes da vistoria presencial. O recurso permite observar quintais fechados, imóveis murados e outros locais onde a visualização seria limitada durante uma inspeção convencional.

Em seguida, um software analisa automaticamente as imagens captadas pelos drones. O sistema procura características compatíveis com negligência, como animais debilitados, ausência de água, doenças aparentes e condições precárias de higiene.

Segundo o delegado Renato Pinheiro, responsável pelo Naca, os registros produzidos durante o sobrevoo reforçam as evidências da investigação e podem subsidiar prisões em flagrante quando os maus-tratos forem confirmados.

Cadeia de custódia digital fortalece as provas contra maus-tratos a animais

Todo o material obtido durante as operações passa a integrar a cadeia de custódia digital, preservando a integridade das imagens desde a coleta até sua utilização nos procedimentos policiais. Além de reduzir o risco de perda de evidências, o processo facilita o uso desse material nas etapas seguintes da investigação.

Além disso, o procedimento estabelece regras para ocorrências que indiquem risco iminente à vida do animal. Com base no entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), as equipes podem ingressar em imóveis sem mandado judicial quando houver elementos que justifiquem uma intervenção imediata para o resgate.

Além do atendimento ao animal, o uso de drones na investigação de maus-tratos a animais ajuda a orientar os policiais a observar possíveis situações de vulnerabilidade durante as ocorrências. A Teoria do Elo relaciona casos de crueldade contra animais à violência doméstica, permitindo o acionamento dos órgãos competentes quando houver crianças, idosos, mulheres ou pessoas com deficiência em situação de risco.

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