Novo navio de guerra brasileiro acelera tecnologia nacional e gera 23 mil empregos

O novo navio de guerra da Marinha reúne tecnologia desenvolvida no Brasil, gera empregos qualificados e amplia a capacidade da indústria nacional para futuros projetos estratégicos.
Novo navio de guerra Fragata Cunha Moreira (F202) durante cerimônia de lançamento no estaleiro da Marinha do Brasil em Itajaí (SC).
A Fragata Cunha Moreira (F202), novo navio de guerra da Marinha do Brasil, foi lançada em Itajaí (SC) como parte do Programa Fragatas Classe Tamandaré, voltado ao fortalecimento da indústria naval, da inovação e da geração de empregos qualificados. (Foto: Marinha do Brasil)

O novo navio de guerra da Marinha do Brasil foi lançado e batizado na sexta-feira (26/06), em Itajaí (SC), durante a cerimônia da Fragata Cunha Moreira (F202). A embarcação integra o Programa Fragatas Classe Tamandaré, iniciativa que reúne construção naval, transferência de tecnologia e produção de sistemas de alta complexidade em território brasileiro.

A nova fragata da Marinha é a terceira embarcação da classe e foi construída pela TKMS Estaleiro Brasil Sul, com mão de obra nacional e tecnologia da alemã ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS). Segundo a Marinha, o programa gera cerca de 23 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, envolvendo empresas brasileiras de engenharia, metalurgia, eletrônica, tecnologia e construção naval.

Os efeitos do programa vão além da área militar. A fabricação das fragatas amplia a demanda por fornecedores nacionais, incentiva a formação de profissionais especializados e fortalece setores industriais que desenvolvem produtos e serviços de alto valor tecnológico, contribuindo para aumentar a competitividade da economia brasileira.

A Fragata Cunha Moreira terá como uma de suas principais missões proteger a Amazônia Azul, área marítima de aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados, onde estão rotas comerciais, reservas do pré-sal, ilhas oceânicas e outras estruturas estratégicas para o país.

Novo navio de guerra amplia o domínio brasileiro sobre tecnologias navais

A fragata da Classe Tamandaré reúne sensores, sistemas de defesa e armamentos integrados em um projeto desenvolvido com transferência de tecnologia. O processo amplia a capacidade brasileira de projetar, integrar e fabricar embarcações militares de alta complexidade, consolidando competências que permanecem disponíveis para futuros projetos industriais.

O programa utiliza engenharia digital (“paperless”) e construção modular, permitindo que diferentes blocos sejam produzidos simultaneamente antes da integração final da embarcação. O método reduz etapas de fabricação, melhora a eficiência produtiva e acelera a transferência de conhecimento para engenheiros, técnicos e trabalhadores brasileiros.

As competências desenvolvidas nesse projeto do novo navio de guerra também podem beneficiar outros segmentos da indústria de alta tecnologia, ampliando a capacidade nacional em áreas como engenharia, automação, integração de sistemas e desenvolvimento de soluções industriais avançadas.

Classe Tamandaré amplia a capacidade da indústria brasileira

O primeiro lote da Classe Tamandaré é formado por quatro embarcações. A Fragata Tamandaré (F200) já integra a frota da Marinha, enquanto a Fragata Jerônimo de Albuquerque (F201) iniciará os testes de aceitação no mar. A quarta unidade, Mariz e Barros, tem lançamento previsto para novembro.

A previsão da Marinha é concluir esse primeiro conjunto até 2029 e iniciar um segundo lote com mais quatro fragatas. A continuidade do programa mantém ativa a estrutura industrial criada em Itajaí, amplia a demanda por fornecedores nacionais e preserva empregos especializados para novos investimentos na construção naval brasileira.

A embarcação homenageia Luís da Cunha Moreira, primeiro brasileiro nato a ocupar o cargo de Ministro da Marinha e um dos responsáveis pela organização da Primeira Esquadra após a Independência. Além de reforçar a defesa marítima, a embarcação militar brasileira deixa como legado conhecimento tecnológico, profissionais qualificados e uma capacidade produtiva que poderá sustentar futuros projetos estratégicos da indústria nacional.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp