Produto contra incêndios florestais desenvolvido na PUC-PR pode mudar o combate às queimadas

Produto contra incêndios florestais desenvolvido na PUC-PR une combate ao fogo e recuperação ambiental. Conheça a inovação brasileira que disputa prêmio internacional.
Estudantes da PUC-PR apresentam produto contra incêndios florestais desenvolvido com composto natural para combater o fogo sem contaminar o meio ambiente.
Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira desenvolveram um produto contra incêndios florestais que utiliza um composto natural e representa o Brasil na etapa internacional do Hult Prize 2026. (Foto: PUCPR/Divulgação)

Um produto contra incêndios florestais desenvolvido pelas estudantes Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) ganhou projeção nacional na terça-feira (30/06), . A tecnologia utiliza um composto natural para reduzir a propagação das chamas e foi classificada para a etapa internacional do Hult Prize 2026.

As universitárias representam o Brasil depois de vencerem as fases regional e nacional da competição. Entre 18 mil equipes inscritas, apenas 90 continuam na disputa mundial, que premiará a equipe vencedora com US$ 1 milhão em investimento para transformar a pesquisa em negócio.

O BIODEFENSER® foi concebido para enfrentar um problema presente em diversos países: conter incêndios sem recorrer a produtos que podem deixar resíduos prejudiciais ao ambiente. A formulação ainda passa por testes antes de chegar ao mercado.

O projeto nasceu dentro da universidade e reúne pesquisa científica, empreendedorismo e desenvolvimento tecnológico. A próxima etapa inclui ensaios em escala maior, validação técnica e o processo de patente no Brasil e no exterior.

Produto contra incêndios florestais reúne combate ao fogo e recuperação ambiental

O retardante biológico para incêndios florestais cria uma barreira térmica que reduz a velocidade de propagação das chamas. Segundo as pesquisadoras, a película permanece aderida ao solo e à vegetação após a aplicação, prolongando a proteção da área.

Outra característica apresentada pela equipe é a possibilidade de favorecer a recuperação ambiental. Por ser formado por um biopolímero, o material poderá deixar resíduos compatíveis com o enriquecimento do solo, hipótese que ainda será verificada em testes com instituições parceiras.

Até o momento, o produto conseguiu apagar chamas em ambiente laboratorial. Os próximos experimentos deverão ampliar a escala dos ensaios antes da solicitação das validações necessárias.

Pesquisa acadêmica avança para patente e busca parceiros

A ideia surgiu em 2024 durante um programa de inovação da PUC-PR. Depois de ser selecionado em editais internos, o projeto recebeu R$ 10 mil para aquisição de materiais e equipamentos destinados ao desenvolvimento da formulação.

A equipe prepara o pedido de patente e pretende estruturar uma startup de origem acadêmica para produzir a tecnologia. Também existe a possibilidade de licenciamento para empresas interessadas na fabricação do produto.

A Embrapa Florestas manifestou interesse em colaborar com testes de campo e análise dos resíduos, enquanto pesquisadores também estudam avaliações em uma câmara de combustão da Universidade Federal do Paraná.

Produto contra incêndios florestais: Tecnologia responde a um problema mundial

Segundo o relatório State of Wildfires, os incêndios florestais emitiram 8,6 bilhões de toneladas de dióxido de carbono em 2024, com prejuízos superiores a US$ 250 bilhões em todo o mundo.

No Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 10.442 focos de incêndio entre janeiro e abril de 2026. Esse avanço reforça a busca por tecnologia contra queimadas que combine eficiência operacional e menor impacto ambiental.

Além de reduzir o consumo de água durante o combate ao fogo, a solução desenvolvida pelas estudantes pretende oferecer uma alternativa sustentável aos retardantes convencionais. A confirmação dessa aplicação dependerá da conclusão dos testes técnicos e das avaliações conduzidas por instituições parceiras antes da entrada do produto no mercado.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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