Fotógrafo brasileiro recebe prêmio internacional por imagem que expôs tráfico de tubarões

O fotógrafo brasileiro Fernando Faciole recebeu prêmio internacional ao vencer o Environmental Photography Award 2026 com uma imagem registrada durante operação do Ibama contra o tráfico de barbatanas de tubarão.
Fotógrafo brasileiro Fernando Faciole recebe prêmio internacional das mãos do príncipe Albert II de Mônaco por fotografia ambiental premiada.
Fernando Faciole recebe o Environmental Photography Award 2026 das mãos do príncipe Albert II de Mônaco após vencer com uma fotografia que ampliou a conscientização sobre o tráfico de tubarões e a proteção dos oceanos. (Foto: Fernando Facioli)

O fotógrafo brasileiro Fernando Faciole recebeu reconhecimento internacional ao vencer a categoria Humanity vs Nature do Environmental Photography Award 2026, uma das principais premiações dedicadas à fotografia ambiental. A imagem vencedora foi produzida durante uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e registra a incineração de barbatanas de tubarão apreendidas em ações contra o tráfico de fauna.

Mais do que destacar uma conquista individual, o prêmio projeta o Brasil em uma discussão global sobre conservação marinha e combate aos crimes ambientais. A fotografia transforma uma apreensão realizada em território nacional em um símbolo internacional da necessidade de proteger espécies essenciais para o equilíbrio dos oceanos.

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O reconhecimento também reforça a capacidade da fotografia ambiental de ampliar a conscientização pública sobre problemas que muitas vezes permanecem invisíveis para grande parte da sociedade.

A conquista ganha relevância adicional porque ocorre em um momento de fortalecimento das medidas brasileiras voltadas ao controle do comércio de barbatanas e à proteção de espécies vulneráveis à exploração excessiva.

Fotógrafo brasileiro recebe prêmio com tema ambiental

A imagem premiada foi registrada em parceria com o Ibama durante a destruição de barbatanas apreendidas no Aeroporto Internacional de Guarulhos. O que poderia ser apenas o registro de um procedimento administrativo tornou-se uma representação visual dos impactos causados pela exploração ilegal da fauna marinha.

Ao receber o prêmio das mãos do príncipe Albert II de Mônaco, Fernando Faciole levou para um palco internacional uma pauta diretamente ligada à preservação dos oceanos. O reconhecimento demonstra como o fotojornalismo pode transformar ações de fiscalização em narrativas capazes de sensibilizar públicos de diferentes países.

Criado em 2021 pela Prince Albert II of Monaco Foundation, o Environmental Photography Award busca valorizar trabalhos que contribuam para ampliar a conscientização sobre questões ambientais e incentivar a proteção dos ecossistemas.

Como a imagem ajudou a expor o tráfico de barbatanas

Além da força visual, a fotografia chama atenção para um dos principais desafios enfrentados pelos órgãos ambientais: o comércio ilegal de barbatanas de tubarão.

Segundo informações associadas à operação, uma das estratégias utilizadas por traficantes é exportar barbatanas de espécies ameaçadas sob a identificação de tubarão-azul, dificultando a fiscalização e a identificação correta dos animais explorados.

Ao registrar o destino final do material apreendido, a fotografia ajuda a tornar mais compreensível para o público uma cadeia ilegal que normalmente acontece longe dos olhos da população. O resultado é uma ampliação do debate sobre conservação marinha e sobre a importância de mecanismos eficazes de controle e monitoramento.

Novas regras ampliam proteção aos tubarões

O contexto da premiação coincide com mudanças recentes na regulamentação brasileira para o comércio de tubarões.

Em março de 2026, o Ibama passou a proibir a exportação de barbatanas e estabeleceu que o tubarão-azul só pode ser comercializado com o corpo íntegro. A exigência de desembarque dos animais com as barbatanas naturalmente aderidas ao corpo fortalece a rastreabilidade e reduz possibilidades de fraude.

As medidas aumentam a capacidade de fiscalização e representam um avanço na proteção de espécies que desempenham papel fundamental para a manutenção do equilíbrio ecológico dos oceanos.

Fotógrafo brasileiro recebe prêmio: O que a conquista representa para o Brasil

O fato de um fotógrafo brasileiro receber prêmio internacional por uma obra ligada à fiscalização ambiental reforça a relevância do país nas discussões globais sobre biodiversidade e conservação.

A conquista evidencia que iniciativas desenvolvidas no Brasil podem contribuir para ampliar a conscientização mundial sobre crimes ambientais e proteção da vida marinha. Também demonstra como a união entre ciência, fiscalização e comunicação pode gerar resultados que ultrapassam fronteiras.

Mais do que premiar uma fotografia, o reconhecimento destaca uma mensagem: ações de combate ao tráfico de fauna podem ganhar alcance internacional quando são capazes de transformar dados e operações em histórias que conectam informação, emoção e interesse público.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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