Aos 97 anos, britânica bate recorde mundial para agradecer hospital que cuidou dela após AVC

Aos 97 anos, Betty Bromage voltou a desafiar os próprios limites ao quebrar um recorde mundial em uma acrobacia aérea. Desta vez, porém, o maior objetivo era agradecer ao hospital que a ajudou a se recuperar de um AVC.
Aos 97 anos, Betty Bromage transformou um recorde mundial em uma forma de agradecer o hospital que cuidou dela durante a recuperação de um AVC.
A britânica voltou aos céus aos 97 anos e fez da conquista um gesto de solidariedade para ajudar outros pacientes. (Foto: Reprodução / BBC)

Um recorde mundial já seria motivo suficiente para entrar para a história. Mas Betty Bromage decidiu dar um significado ainda maior à conquista. Aos 97 anos, a britânica realizou uma acrobacia sobre as asas de um avião para arrecadar recursos destinados ao hospital que a ajudou a se recuperar de um AVC sofrido no ano passado.

Apoio

Moradora de Cheltenham, no Reino Unido, Betty voltou a quebrar o próprio recorde como a mulher mais velha do mundo a praticar wing walking, modalidade em que a pessoa permanece presa sobre a asa de uma aeronave durante todo o voo. O desafio foi homologado pelo Guinness World Records após ela permanecer mais de cinco minutos no ar, incluindo a decolagem e o pouso.

Gratidão virou combustível para o desafio

O voo tinha um propósito muito maior do que estabelecer uma nova marca. Toda a arrecadação obtida com a iniciativa será destinada ao Cheltenham General Hospital, onde Betty recebeu atendimento depois de sofrer um AVC em 2025.

Ela conta que a equipe médica foi decisiva durante sua recuperação. Embora o derrame tenha afetado sua fala, conseguiu recuperar a autonomia. Depois disso, decidiu retribuir o cuidado recebido ajudando a unidade que continua atendendo centenas de pacientes.

Em entrevistas à imprensa britânica, Betty afirmou que queria fazer algo capaz de beneficiar outras pessoas que enfrentam a mesma situação que ela viveu.

Aventura começou apenas aos 87 anos

O mais curioso é que Betty só descobriu a paixão pela modalidade aos 87 anos. Desde então, realizou diversos voos e transformou os desafios em campanhas beneficentes para instituições da região onde mora.

Sua trajetória mostra que novos desafios podem surgir em qualquer fase da vida. Também revela que uma conquista pessoal pode se transformar em benefício para centenas de outras pessoas.

Como funciona o wing walking

Apesar da aparência radical, o wing walking segue protocolos rigorosos de segurança. O participante utiliza um arnês preso à estrutura da aeronave e permanece fixado durante toda a decolagem, o voo e o pouso.

A prática surgiu nas primeiras décadas da aviação, quando pilotos e acrobatas faziam apresentações para demonstrar as capacidades dos aviões. Atualmente, empresas especializadas oferecem a experiência apenas após treinamentos e inspeções técnicas das aeronaves e dos equipamentos.

Mesmo assim, o esporte continua sendo considerado uma atividade de alto risco e exige condições climáticas favoráveis, além de autorização das autoridades de aviação.

Por que a reabilitação após um AVC faz diferença

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de incapacidade no mundo. Dependendo da área do cérebro afetada, o paciente pode apresentar dificuldades para falar, caminhar, movimentar os braços ou realizar atividades do dia a dia.

Especialistas destacam que a recuperação costuma envolver fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e acompanhamento médico. Quanto mais cedo a reabilitação começa, maiores são as chances de recuperar funções comprometidas e retomar a autonomia.

No caso de Betty, a melhora da fala e da independência permitiu que ela voltasse a realizar atividades que pareciam improváveis após o derrame.

Recordes que também ajudaram outras pessoas

Nos últimos anos, diferentes recordistas transformaram desafios pessoais em campanhas beneficentes. Corridas de longa distância, travessias, maratonas e outras provas homologadas passaram a ser usadas para arrecadar recursos destinados a hospitais, pesquisas médicas e instituições sociais.

A iniciativa de Betty segue essa tradição ao mostrar que um recorde pode produzir impactos que vão além do reconhecimento esportivo. Em vez de celebrar apenas uma conquista individual, ela decidiu transformar a visibilidade do Guinness em apoio concreto para o hospital que participou de sua recuperação.

Muito além do recorde mundial

Mais do que conquistar um novo título, Betty transformou a experiência em um gesto de gratidão. O dinheiro arrecadado ajudará a fortalecer o atendimento da unidade hospitalar que esteve ao seu lado durante um dos momentos mais difíceis de sua vida.

Aos 97 anos, ela continua provando que coragem não se mede pela idade. Sua história também mostra que solidariedade pode ganhar formas inesperadas. Até mesmo um recorde mundial pode servir para agradecer, inspirar e cuidar de outras pessoas.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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