Nem toda conquista cabe em uma medalha. Depois de vencer Olimpíadas e Campeonatos Mundiais, Ana Marcela Cunha realizou nesta quarta-feira (22/07) um sonho que carregava desde a infância. A nadadora completou a travessia do Canal da Mancha em 8h25min29s e se tornou a sul-americana mais rápida, entre homens e mulheres, a concluir o desafio.
O resultado amplia o legado construído por uma das maiores atletas da história das águas abertas, mas representa algo diferente dos títulos conquistados nas competições oficiais. Desta vez, a marca nasceu da realização de um objetivo pessoal que a acompanhava muito antes do ouro olímpico.
Considerada uma das provas mais difíceis da natação em mar aberto, a travessia entre Inglaterra e França exige resistência física, preparo mental e adaptação constante às condições do mar. Foi nesse cenário que Ana Marcela Cunha transformou um objetivo em uma conquista inédita para a América do Sul.
Ana Marcela Cunha realizou um objetivo que carregava desde criança
Após concluir a travessia, Ana Marcela Cunha contou que cruzar o Canal da Mancha era um objetivo cultivado desde a infância. Para a nadadora, alcançar essa meta teve um significado especial por representar uma conquista construída fora do calendário das grandes competições internacionais.
Ela explicou que o ouro olímpico continua sendo o maior resultado da carreira sob o ponto de vista profissional. Ainda assim, afirmou que completar a travessia tem um valor emocional semelhante por representar a concretização de um desejo que a acompanhou durante toda a vida.
Além do significado pessoal, o resultado também mudou a história da participação sul-americana no Canal da Mancha. Com o tempo de 8h25min29s, Ana Marcela Cunha superou as marcas registradas por Ana Mesquista, em 1993, e por Adherbal de Oliveira, em 2015, tornando-se a atleta da América do Sul mais rápida a concluir a travessia.
O recorde exigiu meses de preparação
Para transformar esse objetivo em realidade, Ana Marcela Cunha precisou se preparar para condições bem diferentes das enfrentadas nas competições tradicionais. O Canal da Mancha reúne águas frias, correntes marítimas intensas, mudanças constantes de maré e um dos trechos de navegação mais movimentados do mundo.
A preparação incluiu um simulado de aproximadamente 12 horas de natação, além de um período de adaptação às baixas temperaturas. Essas etapas ajudaram a atleta a enfrentar um percurso cuja distância pode variar conforme as correntes e o trajeto percorrido durante a travessia.
Durante todo o desafio, a nadadora contou com uma equipe de apoio em um barco. O grupo reuniu o treinador Kafu, o guia brasileiro Igor de Souza, especialista no Canal da Mancha, além de árbitro, equipe técnica e um representante do Guinness World Records.
Um feito que amplia uma carreira já consagrada
Embora Ana Marcela Cunha já estivesse entre as atletas mais vitoriosas das águas abertas, a travessia acrescenta um tipo diferente de conquista ao currículo. O desafio não faz parte do circuito oficial das principais competições, mas é reconhecido internacionalmente como um dos maiores testes individuais da modalidade.
Campeã olímpica da maratona aquática de 10 quilômetros nos Jogos de Tóquio 2020, a baiana construiu uma das carreiras mais vitoriosas das águas abertas. Ao longo da trajetória, Ana Marcela Cunha conquistou diversos títulos mundiais. Ela também foi eleita, em diferentes temporadas, a melhor nadadora de águas abertas do mundo pela World Aquatics.
Ao completar o Canal da Mancha com o melhor tempo já registrado por um sul-americano, Ana Marcela Cunha amplia um legado construído ao longo de décadas e mostra que ainda encontra espaço para alcançar novos marcos mesmo depois de conquistar o principal título do esporte.